A Metamorfose – Franz Kafka (Livros do Brasil, 2018)

A leitura e releitura desta novela revela até que ponto foi eloquente a carta que, em 1922, Kafka escreveu a Max Brod, em que afirmava com uma clareza fria como gelo, cortante como o fio de uma faca (Nabokov descreveu o tom da escrita de Kafka como «preciso e formal» [Aulas de Literatura]): «Toda esta escrita não é outra coisa senão a bandeira de Robinson no ponto mais alto da ilha.» (p.21) A Metamorfose ocupa um lugar só seu, um pódio indisputado. Porque a corrida foi solitária, e ninguém ganhou. Só a perda, a desolação e o desespero ficaram, ex aequo, em primeiro lugar.

Actores – TNSJ, 10/02/2018

A tarefa impossível de fazer novo um texto criado por outrem, decorá-lo, trabalhá-lo e repeti-lo à exaustão é a vida deste quinteto talentoso, aqui despida e reinventada. A peça comenta-se a si própria e os atores seguem esse movimento, num solipsismo cíclico a que assistimos absortos, para no final nos darmos conta de que somos também parte integrante desse todo cénico.