Paul B. Preciado – Fórum do Futuro, Rivoli (9/11/2018)

Esta conceptualização do corpo como um organismo construído em sociedade passível de ser alterado, reescrito e recodificado, serve como ponto central para a proposta de Preciado: vivemos, neste preciso momento, uma revolução na qual aqueles e aquelas em posições subalternas têm finalmente acesso às tecnologias de poder para responder à hegemonia heterossexual.

Espião na Primeira Pessoa – Sam Shepard (Quetzal, 2018)

É inevitável que, sendo esta a última obra de Sam Shepard, escrita quando já profundamente acometido pelas debilitações da esclerose lateral amiotrófica, que causou a sua morte em 2017, se lhe atribua um carácter autobiográfico. É impossível não fazer o paralelismo e fantasiar que Shepard nos deixou um breve vislumbre dos seus últimos pensamentos, mostrando-nos os fragmentos de clarividência, confusão, das quimeras e memórias que o assolaram perto do fim.

Do Alto da Ponte – TNSJ, 9/11/2018

A forma transparente como os atores interpretaram o texto deixou no público a compreensão plena da humanidade das personagens, dos seus erros e virtudes e do dilema moral subjaz ao enredo. E isso, parecendo pouco, transforma esta produção dos Artistas Unidos, com encenação de Jorge Silva Melo, num espectáculo emocionante.

Um Rio à Beira do Rio – Mário Cesariny (Documenta, 2017)

Um dos pontos mais relevantes das cartas será o cariz comunitário desta correspondência entre artistas que pretendem estreitar os laços intelectuais e emocionais que os unem, numa troca de palavras, promessas de pôr Laurens em contacto com outros artistas e de divulgar o seu trabalho em Portugal, pedidos de divulgação e tradução dos seus poemas para o holandês, artigos de jornal (…), discos de Satie, impressões sobre gatos, um poema de Cesariny sobre o fim do colonialismo português, gravuras de Cruzeiro Seixas, pinturas, revistas e outros artefactos culturais, criando um cadáver-esquisito transnacional (…)

Ler Pessoa – Jerónimo Pizarro (Tinta da China, 2018)

Tal como nos seus livros anteriores, Pizarro dá ao leitor os dados que tem e apresenta uma hipótese geral e temática para os interpretar, fazendo uso de um amplo leque de opções interpretativas, que passa tanto pelo trabalho dos seus contemporâneos, como pelo enquadramento cultural e político da época e pela interpretação dos textos, privilegiando a abrangência e abertura do seu raciocínio em deterimento de uma hermeneutica em vácuo e manipulada para um resultado, como vemos em tantos exemplos ligados ao estudo do poeta lisboeta.

Kronos Quartet – Theatro Circo (30/10/2018)

(…) Kronos Quartet, que conta com quarenta anos de existência e se vai renovando, quer materialmente, quer musicalmente, ao expandir os seus tentáculos, aproximando áreas geográficas distantes e distintas, ao mesmo tempo que olha o passado e o transporta para o futuro da música erudita, numa missão de a traduzir para uma linguagem mais acessível ao grande público.