home Didascálias, TEATRO A Criada Zerlina – Teatro Aberto, 21/2/2020

A Criada Zerlina – Teatro Aberto, 21/2/2020

Em palco na Sala Azul do Teatro Aberto, até ao próximo dia 1 de Março, encontramos o clássico de Hermann Broch A Criada Zerlina, protagonizada por Luísa Cruz, numa interpretação que lhe valeu os aplausos da crítica e um Globo de Ouro.
A narrativa começa na total escuridão e decorre sempre na penumbra, onde Luísa Cruz –  Zerlina – conta a A. as suas memórias e se assume como única referência de luz no decorrer de todo o espectáculo. Aliás, tratando-se de um monólogo, de uma história contada na primeira pessoa a um interlocutor invisível, Zerlina e o seu extraordinário poder de storytelling é tudo quanto existe nesta peça, conduzindo-nos pelo seu passado de amores consumados e de mágoas persistentes, onde residem a aceitação pelas díspares condições sociais e um inconformismo maior perante o agradecimento que lhe foi negado do que perante a justiça que não foi feita.
A trama é envolvente – porque o texto é belíssimo! – e persiste no espectador a vontade de lhe conhecer o final mas, apesar do brilhantismo de Luísa Cruz, torna-se fatigante a luta contra a falta de acção e a escuridão constantes, a par com o espaço confinado entre as filas do cadeiral, onde o espectador dificilmente consegue alterar a sua posição e permanecer confortável ao longo de uma hora e quarenta minutos.
Os olhos estão postos em Zerlina desde o início ao fim, no seu vestido de veludo vermelho, farol no palco negro onde os móveis espartanos e escuros se perdem, e o respeito imenso pela sua interpretação cresce no espectador. São as suas expressões, as suas inflexões na voz, a sua subtil gestualidade que elevam o espectáculo e perante isso nos curvamos e aplaudimos. Apesar de esporadicamente existir um narrador cuja voz ressoa pela sala, a sua intervenção é de tal forma pontual que não chega a deixar marca ou a criar qualquer ruptura ou elemento que possa constituir referência.
Espectáculo na dependência total da performance de uma actriz, é um desafio aos sentidos e à atenção mas, confessamos, acolhemos com algum alívio o final da peça.

João Botelho e Luísa Cruz – Nunca é Tarde

A atriz Luísa Cruz recebeu um Globo de Ouro pelo seu monólogo na peça "A Criada Zerlina", que foi encenada pelo realizador João Botelho. Antes da estreia no Teatro Aberto, estiveram na Renascença com a Sónia Santos. #renascença #nuncaetarde #aparcomomundo

Publicado por Renascença em Sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

FICHA ARTÍSTICA

VERSÃO_António S. Ribeiro e José Ribeiro da Fonte
TRADUÇÃO_Suzana Muñoz
ENCENAÇÃO_João Botelho
CENOGRAFIA_Pedro Cabrita Reis
DESENHO DE LUZ_Nuno Meira
SONOPLASTIA_Sérgio Milhano
PRODUÇÃO EXECUTIVA_Nuno Pratas
INTERPRETAÇÃO_Luísa Cruz

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