home LP, MÚSICA Angel Olsen – CCVF, 13/05/2018

Angel Olsen – CCVF, 13/05/2018

O sol não dançou no passado dia 13 (até porque já estava ausente), mas o bréu do Centro Cultural Vila Flor (CCVF) trouxe-nos um inesperado exercício de entrega artística por Angel Olsen. Felizmente, a cantora fez questão de desmontar a fórmula cansada da identificação entre as letras e quem as cria e canta, esbanjando simpatia e boa disposição entre os temas.

“I feel good” disse Olsen, perante o pedido de uma música antiga pelo público. Explica que não a tocava por ter sido escrita aos 24 anos, altura em que falava de algo que nunca tinha experienciado. Agora, centenas de espectáculos mais tarde e umas vidas depois, basta-lhe a sua bela Gibson negra e aquele vozeirão para ter a sala lotada na mão. Os sorrisos e as piadas bem humoradas são desconcertantes, entre cantos de dor e saudade, primorosamente entoados sobre um fundo de silêncio reverente. Ouvi-la ao vivo, plena de intensidade e afinação, foi uma completa surpresa. Do Rock, mesmo o mais introspectivo, espera-se irreverência, improviso, pontas soltas, nunca um espectáculo cheio de bom gosto, construído em torno dos mesmos tons sonoros e visuais, como este em que fomos imersos.

Os talentos vocais foram acompanhados pelas tiradas bem dispostas para descomprimir, como que a lembrar-nos que tudo aquilo não passa de Arte, um percurso bem díspar da realidade da vida. “You came here to cry, right? So let´s cry”, diz desanimada, perante as parcas gargalhadas de um público pouco habituado a qualquer reacção que não as palminhas e o constante delírio entre hinos de futebol ou o silêncio sepulcral, que passa por alheamento. Infelizmente, os telemóveis foram protagonistas, muitos com flash, perturbando aquela tranquilidade também visual durante uma hora de sonho.

Em espectáculos deste nível, o alinhamento torna-se mero detalhe e referi-lo uma banalidade. Para “cumprir calendário”, destacamos «Sans» e «California» do mais recente álbum de Angel Olsen, chamado Phases, entre temas novos e ainda por completar e alguns clássicos, como o fabuloso encore com “White Fire”.

O triunfo da voz e da palavra sobre a distorção e os jogos de luzes fez desta uma noite memorável. Um milagre para quem o airplay e os tops já não bastam.

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