A Glória e seu Cortejo de Horrores – Fernanda Torres (Companhia das Letras, 2017)

A história é-nos contada, quase na sua totalidade, na primeira pessoa, como um diário escrito pelo protagonista, Mário Cardoso, actor carioca de meia-idade e ídolo caído das novelas que, consciente da sua decadência, tenta recuperar o brilho de outrora regressando ao início de tudo, ao teatro, com a encenação de uma versão de “Rei Lear”, tragédia shakesperiana de 1606.

O Apelo Selvagem – Jack London (Bertrand Editora, 2017)

O livro vive da importância das coisas simples, das forças telúricas da fome e do frio, simplicidade que se estende às palavras de London, às personagens, aos cenários. Sem figuras de estilo complexas, ou adjectivação criativa, o léxico usado pelo escritor é o das pedras, da água, do cansaço, da dor, do amor, da raiva, da vingança, presentes em Buck em estado bruto.

Benjamin Clementine – CAE Figueira da Foz, 27/3/2018

Naquela noite fria de Primavera, o CAE da Figueira da Foz foi pequeno para receber aquele alien de 1,93m (mas que em palco parece ter muito mais) – de passaporte britânico mas avesso a fronteiras – um “alien of extraordinary ability”, de acordo com o visto aposto no dito passaporte à entrada dos EUA. Nunca tal expressão terá sido mais bem empregue em alguém, com toda a certeza, quanto em Benjamim Clementine.