Canção Doce – Leïla Slimani (Alfaguara, 2017)

A marroquina Leïla Slimani criou uma obra ambiciosa e impactante, bem para além da derradeira página, não só pela crueza dos factos, mas pela ténue culpa que desperta em nós, testemunhas silenciosas e cúmplices de uma estrutura societária e familiar anquilosada em colapso iminente, que em Canção Doce, cede pelo lado mais fraco, com efeitos devastadores.

Três em Linha: O Senhor Walser e a Floresta/O Senhor Brecht e o Sucesso/Breves Notas sobre Literatura – Bloom – Gonçalo M. Tavares (Relógio D´Água, 2018)

«Toda a literatura é abstracta, concretas são as pedras. Não aceitar isto é aceitar a literatura como copiadora do concreto, como uma segunda mesa, ou uma segunda casa. (…) A literatura tem objectos próprios, completamente distintos dos que existem na vida dos vivos. Não confundas um escritor com um arrumador de mobílias.»

Laços – Domenico Starnone (Alfaguara, 2018)

Por aqui encontramos um romance fluido e inteligente que, em meras 141 páginas, abarca cerca de quatro décadas (…) da vida de uma família italiana tradicional (…).Mas mais do que isso, Starnone resiste à tentação de fazer um romance longo, para concentrar a atenção do leitor em eventos e emoções definidores, num trabalho minucioso de contenção e, certamente, de edição por parte do autor.

Pat Metheny – Coliseu do Porto (1//7/2018)

Imaginem um convite para uma noite descontraída de convívio com um dos vossos guitarristas favoritos, (por mero acaso, um dos melhores da História) em que ele aparecia munido da sua guitarra e recriava alguns dos seus melhores temas, acompanhados por alguns dos seus amigos . É este o conceito idealizado para sustentar a mais recente digressão mundial de Pat Metheny.

NOS Primavera Sound (9/6/2018) – Crónica de uma noite para recordar: entre o balanço final e o concerto de muitas vidas.

A nós, que tentamos recriar ambientes e momentos, resta-nos esta (tentativa de) evocar um concerto especial pelo todo público/banda que urdiu, em que noções como fã ou conhecedor foram irrelevantes, perante a ubiquidade dos sentimentos e do respeito mútuo, da gigantesca corrente eléctrica que atravessou os presentes, que espantou, para depois apaziguar e gerar o prazer que fabrica memórias.