home LP, MÚSICA Aziza (Guimarães Jazz 2018) – CCVF, 8/11/2018

Aziza (Guimarães Jazz 2018) – CCVF, 8/11/2018

Novembro é mês de jazz. Em bom rigor, todos os meses do ano são meses de jazz, mas o penúltimo mês do ano traz a Guimarães o que de melhor e mais diversificado pode ouvir-se, tornando a cidade-berço um local incontornável do “circuito jazzístico” nacional. Na sua 27.ª edição, o programa do festival conta com 13 concertos distribuídos ao longo de 10 dias consecutivos, a par de inúmeras atividades paralelas, de animações musicais presentes em vários locais da cidade às já icónicas jam sessions na Associação Convívio, a que os organizadores do Guimarães Jazz nos foram habituando.

Pensar e olhar o jazz a partir de fora para dentro é o mote assumido por Ivo Martins, programador do Guimarães Jazz, como linha orientadora do programa do festival para este ano, o que implica a exploração de “geografias alternativas ao território nativo do jazz” e a divulgação de novos músicos, menos mediáticos e mais informais e flexíveis, e de novos territórios musicais “experimentais e vanguardistas”.

O concerto inaugural do Guimarães Jazz 2018 trouxe ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Vila Flor Aziza, o último (super)grupo do lendário baixista Dave Holland, fundado em 2014 e que integra mais três membros de peso do mundo do jazz: o saxofonista Chris Potter, o baterista Eric Harland e o guitarrista Lionel Loueke, substituído neste concerto pelo não menos conhecido Kevin Eubanks.

O nome do quarteto resulta da denominação dada ao deus da inspiração da mitologia Dahomey (antigo reino do atual Benim), o qual, por seu turno, deu nome a uma das músicas do grupo, Aziza Dance. Foi exatamente isso que todos quantos ousaram enfrentar o vento e a chuva forte da noite de 08 de novembro tiveram como recompensa: um espetáculo potente, envolvente e cheio de virtuosismo.

Com uma sala cheia e um público desejoso de bom som, os quatro músicos deram um espetáculo memorável. Vestidos de forma informal e dispostos em triângulo no palco, com Potter ao centro, foi notório o entendimento entre todos, sob o comando subtil mas vincado de Holland. Ao longo de mais de uma hora de concerto, houve tempo para tudo: improvisos, solos impressionantes de cada um dos músicos, Potter a presentear o público com a doçura do seu clarinete e até umas notas da música “parabéns a você”, claramente dedicadas a Harland, o aniversariante do dia.

Aos 72 anos, David Holland mostrou estar em plena forma musical, fazendo parecer simples e natural o que só está ao alcance dos génios musicais. Por isso, foi sem espanto que, depois de mais de uma hora de concerto, o público lhes concedeu a primeira ovação da noite: uma sala inteira de pé, rendida à grandiosidade dos Aziza e desejosa por um encore ao qual não se fizeram rogados. Dirty Monk fechou, com chave de ouro e com direito a nova ovação, um alinhamento musical colorido e vibrante: um excelente início da 27.ª edição do Guimarães Jazz.

Foto de Victor Guidini

Por defeito profissional, Maria de Deus Botelho escreve de acordo com o novo desacordo ortográfico.

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