home LP, MÚSICA Festival Bons Sons – Cem Soldos, 8 a 11/8/2019

Festival Bons Sons – Cem Soldos, 8 a 11/8/2019

Dez palcos e mais de 50 concertos. Uma aldeia em manifesto e música portuguesa em uníssono. Assim foi a 10.ª edição dos Bons Sons em Cem Soldos, Tomar. A terra, cujas praças, casas e ruas se transformam em palcos, desde 2006. A essência deste festival a ninguém passa despercebida. Organizado pelas suas gentes de forma voluntária, o Bons Sons é, acima de tudo, um grito comunitário que pretende alertar para a necessidade do envelhecimento activo e do planeamento do território, para além de dinamizar a música portuguesa, em palcos que homenageiam alguns dos melhores artistas nacionais Este ano, para os dias 8, 9, 10 e 11 de Agosto estava marcada a edição que celebraria 13 anos e dez edições de Bons Sons, num recinto que cresceu para que houvesse mais aldeia, mas com lotação diminuída em 5.000 pessoas, para que se pudesse vivê-la na sua plenitude. Para comemorar, um cartaz eclético nem sempre cantado, mas sempre pensado em português. Regressos muito desejados e “primeiras vezes” emotivas. Mas houve muito mais: instalações fotográficas, conversas, performances, teatros e poesia. Percursos artísticos, debates e os jogos do Hélder para a toda a família. E, apesar da chuva, que insistiu em fazer-se sentir em muitos momentos, foi o calor do público que dominou, durante quatro dias, a atmosfera de Cem Soldos.

O primeiro dia de Bons Sons (quinta-feira, dia 8), haveria de ficar marcado pelo regresso de Diabo na Cruz a Cem Soldos, 10 anos depois. Ninguém faltou à chamada e a “casa” encheu. Era uma hora da madrugada quando subiram ao Palco Lopes-Graça, no largo da aldeia, e, ainda que sem o vocalista, o que aconteceu ali foi magia. Sérgio Pires, anterior guitarrista, deu, impecavelmente, voz às letras de Jorge Cruz e, para a guitarra entrou Daniel Mestre. Uns pequenos ajustes que em nada desvirtuaram a essência de Diabo. Inserido na digressão do quarto e último disco da banda Lebre (2018), e que marca o fim “de um ciclo”, este concerto fez justiça à expressão “como se não houvesse amanhã” e na dúvida, do palco vinha uma energia apoteótica e o público fervoroso respondia com amor.
Do céu, intervenção divina em forma de chuva que não afastou fã algum, afinal de contas estávamos perante uma despedida onde houve espaço para a lebre, com “Procissão”, “Lebre”, “Malhão 3.0”, “Forte” e “Terra Ardida”, para os clássicos “Ganhar o dia”, “Vida de Estrada”, “Pioneiros” e “Dona Ligeirinha” e para um momento especial que juntou Diabo na Cruz e Carlos Guerreiro dos Gaiteiros de Lisboa. Sobre o futuro, nunca se sabe. Mas esperemos que a procissão dos Diabo na Cruz ainda “vá no adro”, porque ali, em Cem Soldos, foi só “rebelião de febre, bombos, suor e lágrimas”. Uma festa do Diabo!

Imediatamente em frente, no palco Aguardela, a festa continuou com ritmos latinos, samba e funaná, com o DJ João Melgueira. Mas o primeiro dia de Bons Sons já havia começado há muito…
Às 14 horas, era inaugurado o festival, no Palco “MPAGDP”, sigla de A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria. Era ali, no Lagar de Cem Soldos, que Carlos Batista nos lançava na tradição portuguesa, através do cavaquinho e da sua voz.
Mesmo ao lado, na Igreja de São Sebastião, Francisco Sales subia ao Palco Carlos Paredes, pouco tempo depois. Um altar incomum, com uma acústica especial, que era estreado com as sonoridades da guitarra.
Procissão para o Palco Giacometti, no Largo de São Pedro, cujo nome nos remete para a herança de Michel Giacometti, um etnomusicólogo que muito fez pela divulgação da tradição musical portuguesa. A abri-lo, Mano a Mano, um projeto que une dois irmãos e o seu amor pelas guitarras. Um concerto onde André e Bruno Santos apresentaram o novo disco.

De regresso ao Palco MPAGDP, desta vez era Vénus Matina quem nos recebia. Eva Paiva na voz e André Teodoro na guitarra, em formato semi-acústico, com canções que misturaram as suas várias influências, desde o jazz ao bossa nova.
Perto das 18 horas e de novo no Palco Giacometti, Raquel Ralha emprestava a voz e Pedro Renato dava vida a várias covers, conhecidas de todos nós, com uma energia contagiante.
De lá, seguimos para o adro da Igreja de São Sebastião, para um palco de quatro frentes e que presta homenagem a Amália Rodrigues. E foi com Senza que se abriu o Palco Amália. Um projeto que nos levou à volta do mundo através da voz de Catarina Duarte e da guitarra de Nuno Caldeira.
Tempo agora para ouvir a Orquestra Filarmónica Gafanhense, no Palco Zeca Afonso. Uma orquestra juvenil a baptizar o palco mais bonito deste festival. Um anfiteatro natural, num campo de oliveiras que, à luz do final da tarde, se assumia como o cenário por excelência.
Com a noite, chegavam também os concertos mais aguardados do dia. A estrear o Palco António Variações, Benjamim com Joana Espadinha. Um concerto que misturou as primeiras músicas de Benjamim e o mais recente disco de Joana Espadinha, produzido por Benjamim. Dois amigos, dois nomes emergentes e uma combo de encher as medidas.

Fogo Fogo é funaná, África, ritmo e calor e foi isso que se viu no Palco Lopes-Graça. Pouco depois os X-Wife tocavam no Palco António Variações, onde apresentaram o último e homónimo álbum, de 2018 e que levou “para aí cinco anos a ser lançado”. Uma espera que parece ter valido a pena, para os fãs que mostraram a sua força e energia ao longo de cada canção, de um concerto onde houve tempo para homenagear Bruno Sarado, pelos dez anos em que acompanhou a banda e para dar um salto a Espanha com “Coconuts”, onde “las chicas estan locas”. O clima estava caliente e os Diabo na Cruz estavam quase, quase a entrar em palco…

Sexta-feira a aldeia despertou cedo, com cheiro a terra molhada. Talvez porque fosse importante acalmar o púbico, afinal de contas o segundo dia ainda nem havia começado e já se tinham vivido muitas emoções.
No recinto, Cal davam inicio a mais uma sessão de concertos. Duas vozes em palco e um universo de sensações.
Seguiu-se Rui Souza que vestiu a pele de Dada Garberck e nos fez viajar. Uma experiência hipnotizante, entre acordes e sintetizadores.

Gator, The Alligator mostraram-nos, depois, ao que soava a verdadeira energia e, mais tarde, era Adélia quem nos dava música. Um projecto que nasce em homenagem a Adélia Garcia, a cantadeira de Caçatrelhos. Ana Correia e Tânia Pires pegaram nas suas canções e deram-lhes uma nova vida, à boleia das suas vozes e de instrumentos tão diversos como o violino, o adufe e o ukelele. Um concerto intimista, onde a tradição ganhou novos contornos.

Leve, delicado e com as suas letras pop, um tanto ou quanto melancólicas a viverem numa voz doce. Assim foi o concerto de Sallim, onde nos apresentou A ver o que acontece.
Mais tarde, éramos apresentados a Afonso Cabral e ao seu primeiro disco em nome próprio. O vocalista de You Can’t Win, Charlie Brown brindou-nos com sonoridades harmoniosas e a sua poesia.
Continuamos no Palco Zeca Afonso e ouvimos “É um prazer tocar em casa”. Era o vocalista de Lodo visivelmente feliz por estar a fazer música – ora electrizante ora declamada – na sua terra, ao lado de Peixe, membro fundador de Ornatos Violeta.
E, já perto de anoitecer, guitarras portuguesas. Hélder Moutinho abria o seu concerto com “Fado Bailado”, onde mais tarde se entoaria a viva voz e um pouco por todo o recinto “Lisboa menina e moça”.
Do fado, somos transportados para os anos 80. Quem nos conduz? A electrónica dançante de Paraguaii. A banda vimaranense que nos apresentou Kopernicus.
Depois, corremos para não perder os primeiros acordes de First Breath After Coma e Noiserv. Palco ainda vazio e um anfiteatro já cheio – óptimo sinal. Esta colaboração, explicaram-nos, surgiu “em 2014, a última vez que estivemos cá e a primeira vez que o David (Noiserv) nos abordou a dizer que queria fazer músicas connosco”. E ouvimos, quase petrificados e mais envolvidos do que nunca, “Umbrae”, a música que os uniu.

Daí, viajamos pelo universo de Drifter, o disco de First Breath After Coma lançado em 2016, por NU, o mais recente álbum da banda e por melodias de Noiserv. Músicas de uns, remexidas pelos outros. Foi um concerto sentido, intenso e sem dúvida alguma, memorável. Não queríamos que chegasse ao fim, mas chegou, e o que se passou a seguir, no Palco Lopes-Graça foi verdadeiramente inacreditável.
Ao longo do dia, fomos ouvindo as dicas de alguns festivaleiros. Diziam-nos que aguardavam a Maria João
A noite já ia longa e, se havia festivaleiros cansados, depressa esse estado se alterou. “Hole In My Soul”, forte e vigoroso, era a nota de entrada de Budda Power Blues, que chegaram a Cem Soldos com a cantora de Jazz. Uma união de esforços que originou o disco Blues Experience que nos apresentaram aqui. Esteve tudo certo neste concerto e as reacções do público comprovaram-no. Maria João deixou-nos boquiabertos com a amplitude da sua voz doce que se transfigurava em poder. E brincou com ela de forma magistral, emprestando-a às letras de Budda Guedes, o guitarrista e líder da banda. O público delirante foi sendo contagiado com a felicidade que vinha do palco. A banda rasgava notas e sorrisos e, por várias vezes, Maria João se emocionou. Os artistas exibiram-se de uma forma verdadeira e genuína, numa performance difícil de descrever. Despediram-se, mas Maria João não queria ir embora e pedia ao público que gritasse “só mais uma”. O público, em êxtase, consentiu e eles voltaram. A cantora regressou ao seu lugar a saltitar e com o maior sorriso de que há registo. Deram-nos Paul Simon e saíram, apenas para um novo regresso. Foi épico.

Ainda meio assoberbados, dirigimo-nos para o Palco António Variações. Precisávamos de energia que acompanhasse o nosso estado de espírito. E foi com energia que Scúru Fitchádu nos recebeu. Aos saltos palco fora, fez-nos tirar o pé do chão do inicio ao fim, ao ritmo do funaná mesclado com punk.
Para acabar o segundo dia de Bons Sons, DJ Narciso, madrugada dentro.

Sábado, o sol brilhava, o calor fazia-se sentir e o fim-de-semana trouxe mais pessoas a Cem Soldos. Lotação esgotada e tudo pronto!
As Pequenas Espigas abriram o terceiro dia de Bons Sons. Modas populares na voz delicada de crianças que passaram, no final, uma mensagem bonita de igualdade. A professora daquela turma maioritariamente cabo-verdiana apresentou-nos uma dança típica de Cabo Verde, depois de convictamente dizer “brancos ou pretos, somos todos iguais”.
Fomos, depois, para a Igreja da aldeia, para ouvir Valente Maio. Manuel Maio no violino e José Valente na viola de arco, a contar histórias, entre composições e improvisos. Um momento refrescante, numa tarde bem quente.

Jorge da Rocha era quem nos recebia no Palco Giacometti, logo depois. Voz e contrabaixo, juntando-se depois um violino e um violoncelo. O clássico e a contemporaneidade de mão dada e a abraçar-nos a todos.
Voltámos à tradição com Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas, cujo nome tudo diz e passámos depois pelo Palco Garagem, onde qualquer pessoa era convidada a emprestar a sua voz ou a tocar um instrumento. Uma jam descontraída. Daqui, fomos para o palco Giacometti ver Tiago Francisquinho e o seu didjeridu. Impossível ficar estático…
Depressa chegou um dos concertos mais aguardados do dia – Baleia Baleia Baleia. Final de tarde, uma brisa agradável e um sol a perder força, em contraste com o baixo efusivo e a voz multifacetada de Manuel Molarinho e a bateria pujante de Ricardo Cabral. Letras afiadas, críticas ajustadas à realidade e melodias frenéticas, num concerto onde “Bebé Nestlé”, “Quero Ser um Ecrã” e “Buéda Amor Para Dar” não foram esquecidas. Por fim, “Interdependência”, porque, nas palavras de Manuel Molarinho “precisamos todos uns dos outros e isto não era possível sem vocês”. Uma musica que todos os presentes ajudaram a cantar, antes de Manuel e Ricardo mergulharem, não numa prancha roxa, mas nos braços de um público contente de mais.

Já com o sol no horizonte, nem o jogo do Futebol Clube do Porto afastou os fãs do Palco Amália, que recebeu Miramar, o projecto de 2019 que une Frankie Chavez, Peixe e guitarras em melodias fascinantes.
Hora de jantar. Entre pães com chouriço, bifanas templárias e comida indiana, carregaram-se as baterias para ver Três Tristes Tigres. A banda formada em meados dos anos 90 que nos trouxe músicas do passado, numa atmosfera intimista.
Stereossauro foi quem abriu a noite, com o seu excelente álbum Bairro da Ponte e DJ Ride, parceiro nos Beatbombers, que haveriam de nos dar música já durante a madrugada. O concerto de Stereossauro foi um hino à música portuguesa, ao hip-hop e ao fado, aliás, como já nos habituou. Houve Amália, Carlos Paredes e Gisela João. Capicua, NBC e Slow J. Houve scratch, misturado com guitarra portuguesa e houve… chuva, muita chuva e um público que ia dançando ao ritmo da batida.

Tempo agora para Pop Dell’Arte, talvez a banda mais controversa deste festival. Um instrumental absolutamente apoteótico acompanhado por uma voz ímpar, nem sempre compreendida, mas mítica no panorama musical português.
E era chegado o momento… Tiago Bettencourt sobe ao palco. Estava frio, mas a massa de público em frente ao Palco Lopes-Graça conseguiu fazer-lhe frente e, sem se dar conta, aquecia embalado pela sua voz calma e segura. “Temporal”. “Maria”, “Partimos a Pedra” e “Só Mais Uma Volta” foram cantadas em uníssono por uma plateia completamente embrenhada no seu mundo. Apesar de não fazer parte do alinhamento, houve “Jardim”, a pedido do João, um ouvinte da Antena 3 que fora entrevistado minutos antes do concerto. A certa altura, Tiago deixa a guitarra e assume o piano. O público ia libertando toda a euforia, ao som de “Laços”, de “O Jogo” e de “Se Me Deixasses Ser”. E, para os fãs de Toranja… “A Carta”. Talvez o momento maior deste espectáculo, em que nenhuma voz se calou.

Procissão para o Palco António Variações e Glockenwise estavam já a tocar Plástico, o disco que os lança em português. Surge depois JP Simões com um saxofone a tocar um tema do seu projecto Bloom, em colaboração com a banda portuguesa.
Pouco depois, DJ Ride, o seu scratch premiado e a produção audiovisual que o caracteriza, num set que terminaria com Drum’n’bass para uma plateia ainda capaz de o acompanhar.

Domingo, entre os campistas, iam-se ouvindo os lamentos. Afinal de contas, tinha chegado o último dia do festival em Cem Soldos. Tinham sido bem acolhidos, e a despedia das gentes da aldeia não ia ser fácil. Muitos diziam querer fazer destes quatro dias a sua vida. Mas tudo o que é bom acaba rápido…
Ainda durante a manhã e sem que nada fizesse prever, Júlio Pereira “ofereceu” um mini-concerto a quem se juntava em frente ao Palco Lopes-Graça a ouvir o soundcheck. E, já de estômago reforçado, fomos ouvir o legado do passado adaptado aos dias de hoje, cantado pelas Vozes Tradicionais Femininas que não esqueceram “Adelaide, Adelaidinha”.

Ricardo Leitão Pedro era quem se seguia, no único cenário que lhe poderia servir de palco – a Igreja de São Sebastião. Acompanhado pelo seu alaúde, cujas características nos explicou, apresentou-nos o seu fascínio pela música antiga e pelo canto al liuto.
Intenso, o Galo Cant’às Duas, já nos aguardava no Palco Giacometti. O Sol, tal como Hugo Cardoso e Gonçalo Alegre, brilhava intenso no céu e eles libertavam toda a energia que tinham, na bateria e no baixo.
Ainda a dançar, fomos ver Telma. Confessou-nos ser uma das primeiras vezes que se apresentava a solo e sentia-se a sua timidez, entre as músicas melancólicas que ia tocando ao piano e às quais dava voz.
Depois, foi entre kuduro e funaná mesclados com fado que Pedro Mafama nos recebeu, numa performance que muito fez lembrar Conan Osíris.

Seguia-se um dos grandes momentos do dia: Sopa de Pedra. Dez mulheres que reinventam, interpretam e dão voz, à capela, aos cantares tradicionais portugueses, acompanhadas pela pianista Joana Gama, uma artista incomparável. Desta vez, ouvimos Amílcar Vasques Dias, numa performance inacreditável de Sopa de Pedra, que juntou todas as vozes em 11 timbres, dança contemporânea, bombos e piano. Uma exibição descontraída que nos roubou toda a nossa atenção e onde, entre canções, se foram fazendo ondas.

Ricardo Toscano e João Paulo Esteves da Silva eram a dupla improvável que daria vida ao Palco Amália quando a noite se aproximava. Um piano e um saxofone para abrir o apetite.

Jantados, seguimos para o Palco Zeca Afonso, para ver Luísa Sobral. Mais do que canções, ouvimos histórias, sobretudo de amor. É nelas que a cantora se inspira e fez questão de nos contar cada uma. Mostrou estar à vontade, no palco, segundo ela, mais bonito onde já esteve. Cantou-nos “Dois Namorados”, “Só Um Beijo” e “Para Ti”. Mas, mais importante do que isso, disse que o que distingue os Bons Sons é a certeza de que cada palavra ali proferida era realmente ouvida, sentida. E se era!
Seguiu-se, e agora sim, o verdadeiro concerto de Júlio Pereira, depois Tape Junk, Dino D’Santiago, Sensible Soccers com Tiago Sami Pereira e Moullinex. Mas o nosso tempo nos Bons Sons tinha chegado ao fim.

Em Cem Soldos vivemos a aldeia. Uma experiência inesquecível, onde a música portuguesa foi rainha.

Mais textos sobre Música AQUI.

One thought on “Festival Bons Sons – Cem Soldos, 8 a 11/8/2019

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *