home 45 rotações, MÚSICA Golden Slumbers – CAE Figueira da Foz, 19/01/2018

Golden Slumbers – CAE Figueira da Foz, 19/01/2018

Na concretização de uma ideia inspiradíssima da programação do CAE – Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, para aproveitamento e valorização do jardim interior daquele espaço, na passada sexta-feira, dia 19 de Janeiro, teve ali lugar o primeiro Café Concerto – After Movie, para o qual foram convidadas as Golden Slumbers.
Em 2013, as irmãs Catarina e Margarida Falcão começaram no seu quarto o projecto Golden Slumbers. Apresentam-se como “duas irmãs com uma paixão por toranjas e música folk”. O nome da banda foram “roubá-lo” aos The Beatles, a uma canção homónima do álbum “Abbey Road” (1969). Os Fab Four são fonte da inspiração das irmãs Falcão, a que se juntam nomes como The Staves, Simon & Garfunkel, Fleetwood Mac, Laura Marling e Cat Power, os seus ídolos de sempre.
As manas “sofrem”, pois, de boas influências e ao reinventá-las, descobrem novas maneiras de, com simplicidade, as tornar (ainda mais) belas, fazendo uso de harmonias de vozes e de guitarras acústicas para compor músicas, na sua grande maioria, doces e calmas.
Em 2014, as Golden Slumbers apresentaram-se ao público nacional com o EP «I Found The Key», com o orelhudo “My Love Is Drunk”. Desde então, têm percorrido Portugal de Norte a Sul, mostrando a sua música.
The New Messiah” é o seu álbum de estreia, onde é bem perceptível a evolução e apuro da mesma sonoridade que lhes valeu uma nomeação para Artista Revelação na edição de 2015 dos Portugal Festival Awards. A composição das músicas tornou-se mais complexa e os arranjos mais detalhados. Ao mesmo tempo, as letras das canções continuam simples e as guitarras surgem sem grandes artifícios.

Os temas de “The New Messiah” são fiéis ao que já conhecíamos das Golden Slumbers, mas as irmãs conseguem por vezes apimentar o seu som, imprimindo uma maior dinâmica a alguns deles, como em “Stubborn” – escrito a pensar nas “discussões épicas” entre ambas – ou “Woke Up”. O tema que dá o nome ao álbum é, de resto, bem animado e até dançável. No meio de todo este folk “fofo-agressivo-passivo-alternativo” (descrição que ouvimos a alguém e que nos parece uma definição perfeita da música das irmãs Falcão), ficou-nos no ouvido “The Hunt”, uma poderosa caçada no feminino.
Catarina e Margarida, além das vozes incríveis que têm (ambas melódicas mas diferentes), conseguem conjugá-las numa cumplicidade apenas possível entre irmãos, usando tons e timbres despojados e elegantes. Em palco, apresentam-se descontraídas, interagindo com o público de forma leve e divertida.
No dia 19, faziam-se acompanhar pelo contrabaixista David Santos, formação que encaixou de forma perfeita no espaço em que decorreu o concerto, com o trio no centro do jardim, rodeado pelas dezenas de pessoas que ali se reuniram para os ouvir.
Testaram ainda alguns temas novos, com títulos provisórios, e brindaram-nos com uma versão excelente de “Cayman Islands”, dos Kings of Convenience. Quase no final do concerto, pediram ao público para as acompanhar numa canção inspirada nas manhãs cinzentas de Londres e o resultado foi delicioso.
Excelente concerto a coroar uma louvável iniciativa do CAE da Figueira da Foz.

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