home Antologia, LITERATURA Granta (em língua Portuguesa – Vol.I) – Fronteiras (Tinta da China, 2018)

Granta (em língua Portuguesa – Vol.I) – Fronteiras (Tinta da China, 2018)

Marca de excelência das letras mundiais, a Granta chegou a Portugal em 2013 pelas mãos da editora Tinta da China, que recrutou Carlos Vaz Marques para seu director e, com hábil gestão dos textos seleccionados e um equilíbrio inteligente entre novas vozes e nomes consagrados, conseguiu edições memoráveis, contribuindo para a expansão da literatura portuguesa contemporânea a outros territórios, a que não foi alheia a publicação de textos de nomes como Valério Romão ou Gonçalo M. Tavares na Granta mãe .

Esta nova edição recomeça no nº1, com a mesma linha editorial, mas com novidades de monta. Os autores do país-irmão Brasil são acolhidos de braços abertos nas suas páginas, numa colaboração inédita no panorama literário nacional, que terá distribuição simultânea no Brasil. O tema escolhido para a “primeira Granta Transatlântica”, como lhe chama Carlos Vaz Marques, é Fronteiras, nas suas várias acepções. Os nomes são destacados, como o recém galardoado com o Prémio Saramago Julián Fuks, com um belo texto no registo a que nos habituou, de híbrido entre a ficção e a confissão autobiográfica, sobre os limiares sociais e éticos com que nos deparamos pelo simples facto de sermos cidadãos no Ocidente contemporâneo.

A imagem da revista fica a cargo de Daniel Blaufuks, que escolheu dois ensaios fotográficos, de que destacamos «A terceira margem do Rio» de Marcos Chaves, em que a artificialidade da intervenção humana sobre a Natureza e o modo como esta a contorna surge destacada.

Para além disso, encontramos um texto de Emma Cline, autora do sucesso de vendas «Girls», num registo mais existencialista, mas sempre centrado no universo feminino, nas peculiaridades e tensões do relacionamento entre mulheres, e a escrita de Han Kang, no seu contraste e difícil equilíbrio entre o peso das temáticas sombrias e a sua forma inovadora, leve, quase mística de as deixar no papel.

Estes são apenas alguns motivos de interesse desta renovada Granta, uma porta que fica aberta a novas vozes da portugalidade, da qual se augura um sucesso ainda maior que o da sua versão anterior.

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