A Forma das Ruínas – Juan Gabriel Vázquez (Alfaguara, 2017)

” Este romance longo e poderoso, é uma demonstração plena da capacidade da ficção de explorar as obsessões históricas de um país. Ao longo deste romance, sem termos uma resolução final para o enredo, nem uma explicação cabal sobre a verdade ou falsidade das teorias de conspiração apresentadas, verificamos como a precaridade da vida familiar se constrói sobre crimes históricos passados, que se perpetuam pelo presente e pelas gerações futuras.”

O Meu Nome Era Eileen – Ottessa Moshfegh (Alfaguara, 2017)

Deste romance de estreia de Ottessa Moshfegh se poderia dizer que tem tudo para falhar. Tem tudo, mas não há nada nele que confirme esse vaticínio de catástrofe. Porque se salva da asfixia causada por uma primeira pessoa sufocante, um enredo concentracionário encurralado pela mágoa, castigado pelo ressentimento, consumido por uma raiva que poderia escaqueirar …

As Coisas Que Perdemos no Fogo – Mariana Enriquez (Quetzal, 2017)

Nos doze contos que compõem As Coisas Que Perdemos no Fogo, Mariana Enriquez põe ao serviço da escrita princípios como fantástico, sobrenatural e, num quadrante distante, naturalismo. Que a escritora abarque tão admiravelmente esse inconciliável já deve ser tido por indício da sua força expressiva e da segurança da sua arte. Talvez não se devesse …

Japandroids – Maus Hábitos, 17/08/2017

Em vésperas do concerto no Vodafone Paredes de Coura, Brian King and David Prowse, conhecidos mundialmente como Japandroids, escolheram o Maus Hábitos, espaço mítico da Invicta, para iniciarem a sua digressão mundial, com um concerto intimista para umas dezenas de privilegiados, anunciado apenas dois dias antes na página de Facebook da banda. Com um alinhamento repleto …

O Despertar da Primavera – uma tragédia de juventude – TNSJ, 21/07/2017

O Despertar da Primavera (escrita em 1891 e estreada em 1906 no Deutsches Theater de Berlim) é uma peça central da dramaturgia europeia, da autoria de Frank Wedekind. O subtítulo – “Uma tragédia da juventude” – não é dispiciendo, embora a estrutura clássica da tragédia não esteja presente. Mas lá chegaremos. Benjamin Franklin Wedekind (Hamburgo, 1864 …

O Homem da Guitarra – Teatro Carlos Alberto, 14/07/2017

Sobre Jon Fosse, já muito foi dito, inclusive aqui na INTRO. Dono de um registo dramático e linguístico facilmente identificável, este O Homem da Guitarra, interpretado por um corajoso Manuel Wiborg no Teatro Carlos Alberto, apenas confirma a sua destreza na criação de personagens maltratadas pela vida, como se de um fado irremediável se tratasse, …