Uma Vida Alemã – Brunhilde Pomsel (Objectiva 2017)

“(…) foi a indiferença das pessoas que permitiu que tudo acontecesse. Não quero de forma alguma associar esta realidade a pessoas específicas (…). O facto de nos sentarmos hoje de novo em frente da televisão a assistir a esta história terrível na Síria, o modo como centenas de pessoas fogem de lá. E depois não deixamos de passar alegremente o nosso serão. Não mudamos a nossa vida por causa disso.”

Querida Ijeawele (Como Educar Para o Feminismo) – Chimamanda Ngozi Adichie (D. Quixote, 2018)

Este livro leva-nos à mais profunda reflexão sobre a discriminação de sexos. Não se deixem iludir pelo seu tamanho (94 páginas), pois é poderoso e pode ser (mais) um veículo para, um dia, daqui a duas gerações(?), chegarmos à igualdade.
Recomendo vivamente a feministas e não feministas, nem que seja pela reflexão a que nos obriga.
Leiam, mostrem aos vossos filhos e amigos, falem dele nas Escolas e vamos pensar juntos um mundo melhor.

A Metamorfose – Franz Kafka (Livros do Brasil, 2018)

A leitura e releitura desta novela revela até que ponto foi eloquente a carta que, em 1922, Kafka escreveu a Max Brod, em que afirmava com uma clareza fria como gelo, cortante como o fio de uma faca (Nabokov descreveu o tom da escrita de Kafka como «preciso e formal» [Aulas de Literatura]): «Toda esta escrita não é outra coisa senão a bandeira de Robinson no ponto mais alto da ilha.» (p.21) A Metamorfose ocupa um lugar só seu, um pódio indisputado. Porque a corrida foi solitária, e ninguém ganhou. Só a perda, a desolação e o desespero ficaram, ex aequo, em primeiro lugar.

Hannah Arendt & Martin Heidegger – Cartas 1925-1975 (Guerra e Paz, 2017)

Nestas Cartas e Outros Documentos 1925-1975 de Hannah Arendt e Martin Heidegger, com publicação em Portugal pela Guerra e Paz, em adaptação da tradução brasileira, supõe-se inevitável a questão sobre como foi possível a alemã de origem judaica manter contacto com o mentor e amante, mesmo após a sua entusiástica colaboração com o regime nacional-socialista.

O Exercício Experimental da Liberdade – Delfim Sardo (Orfeu Negro, 2017)

Assim, as questões da necessidade da representação como natureza primordial do acto criativo, parecem ser o lugar de chegada ou destino de todo o edifício teórico que, neste livro-tese, Delfim Sardo nos propõe. Afinal “O que é representar?”. Parece não existir outra forma de responder a esta interrogação, sobre uma das necessidades mais viscerais da condição humana, senão pela (im)possibilidade do alcance poético…

Uma Vindicação dos Direitos da Mulher – Mary Wollstonecraft (Antígona, 2017)

Defesa intransigente da emancipação feminina, Uma Vindicação dos Direitos da Mulher é um longo libelo contra um estado de coisas que a mera inércia, a passagem demasiado sossegada do tempo e o medo fizeram prevalecer. Que a sua acção faça ainda sentido, eis não apenas uma nota de intemporalidade de um clássico, mas a pertinência histórica de um legado ainda por cumprir integralmente: a condição feminina.