Espião na Primeira Pessoa – Sam Shepard (Quetzal, 2018)

É inevitável que, sendo esta a última obra de Sam Shepard, escrita quando já profundamente acometido pelas debilitações da esclerose lateral amiotrófica, que causou a sua morte em 2017, se lhe atribua um carácter autobiográfico. É impossível não fazer o paralelismo e fantasiar que Shepard nos deixou um breve vislumbre dos seus últimos pensamentos, mostrando-nos os fragmentos de clarividência, confusão, das quimeras e memórias que o assolaram perto do fim.

Um Rio à Beira do Rio – Mário Cesariny (Documenta, 2017)

Um dos pontos mais relevantes das cartas será o cariz comunitário desta correspondência entre artistas que pretendem estreitar os laços intelectuais e emocionais que os unem, numa troca de palavras, promessas de pôr Laurens em contacto com outros artistas e de divulgar o seu trabalho em Portugal, pedidos de divulgação e tradução dos seus poemas para o holandês, artigos de jornal (…), discos de Satie, impressões sobre gatos, um poema de Cesariny sobre o fim do colonialismo português, gravuras de Cruzeiro Seixas, pinturas, revistas e outros artefactos culturais, criando um cadáver-esquisito transnacional (…)

Ler Pessoa – Jerónimo Pizarro (Tinta da China, 2018)

Tal como nos seus livros anteriores, Pizarro dá ao leitor os dados que tem e apresenta uma hipótese geral e temática para os interpretar, fazendo uso de um amplo leque de opções interpretativas, que passa tanto pelo trabalho dos seus contemporâneos, como pelo enquadramento cultural e político da época e pela interpretação dos textos, privilegiando a abrangência e abertura do seu raciocínio em deterimento de uma hermeneutica em vácuo e manipulada para um resultado, como vemos em tantos exemplos ligados ao estudo do poeta lisboeta.

O Espectro dos Populismos (Tinta da China, 2018)

A importância de um livro como este nos tempos que correm é evidente: todos aqueles que consideram a via populista perigosa para os destinos da política mundial precisam de munir-se, em primeiro lugar, de argumentos. Isto implica, em segundo lugar, um posicionamento político. O que leva, em terceiro lugar, à necessidade de conhecimentos concretos sobre o contexto histórico da viragem do século XX para o XXI.

O Caçador de Histórias/O Livro dos Abraços – Eduardo Galeano (Antígona, 2017/2018)

Será invulgar o talento de Eduardo Galeano para as histórias curtas. Nascido em 1940 e falecido em 2015, o escritor uruguaio deixou uma obra extensa e abrangente. Da ficção ao jornalismo, da análise política à história, tornou-se numa das maiores influências intelectuais e artísticas além-mar. O Livro dos Abraços chegou a Portugal em Março de …

Pátria – Fernando Aramburu (D. Quixote, 2018)

Os mais de 30 anos do País Basco sob o terrorismo não são apenas panorama, mas o livro está longe de ser panfletário. A política existe, é tratada, deixa marcas, mas Aramburu evitou a caricatura ou a ficção professoral. É que a narrativa foi beber à vida do autor, às suas experiências, a reais tensões sociais, políticas e pessoais que marcaram gerações.