home LP, MÚSICA MARO – Casa da Música (Sala 2), 8/7/2018

MARO – Casa da Música (Sala 2), 8/7/2018

“Jogar em casa” é o melhor que pode acontecer a um artista, principalmente aquando dos primeiros passos em palco. Maro encontrou no Porto, na Sala 2 da Casa da Música, um lar fora de casa, com a sala cheia de familiares e amigos, que se juntaram para a celebrar e com ela cantarem as músicas que finalmente revelam o seu gigante talento ao Mundo, no formato mais convencional do álbum. No caso dela, o disco é triplo, dividido em volumes cujo critério é cronológico.

Para além da surpreendente maturidade criativa e do bom gosto nas composições e arranjos, encontramos uma voz plena de personalidade e calor, sem tiques ou picos grandiosos, em verdadeiras canções, estruturadas e altamente trauteáveis, algo raro por estas bandas. A primeira pessoa é frequente nas letras, repletas de sonhos, planos, memórias e reflexões, pessoais ou de quem as quiser aproveitar para si.

Ao vivo, encontramos essas canções com espaço para crescerem, plásticas e repletas de perfeitos pretextos para um bom solo de guitarra ou de bateria, ou para o público acompanhar em coro os refrões orelhudos, tarefa tornada simples com três músicos de primeira água em palco, a acompanhar Maro e a sua irmã Matilde (encarregue dos coros): Carlos Miguel Antunes na bateria, Mário Franco no contrabaixo e Manuel Rocha na guitarra, protagonistas de grandes momentos ao longo do concerto.

O sorriso aberto e feliz de Maro é o perfeito acompanhamento para a sua música solar, mesmo quando os acordes menores nos tentam levar por caminhos mais melancólicos. Apadrinhada por Rui Veloso, admirador confesso, que fez questão de marcar presença no evento, foi acompanhada em palco pela voz e presença simpática de Carolina Deslandes em três temas, intercalados pelas histórias de como se conheceram e pelos sorrisos partilhados entre harmonias vocais e letras sentidas na voz.

Também o público foi chamado à festa, fosse para repetir frases chave do refrão, ou para fazer coros e, timidamente, acedeu, para alegria de Maro. As interacções com a assistência são frequentes e certeiras, com apontamentos, introduções e histórias curtas. Tudo fluido e natural, sem parecer forçado. Até o encore dispensou a tradicional saída de palco, por receio confesso da artista de que todos se fossem embora.

Entre o alinhamento é difícil o destaque de algum momento. Talvez a surpresa do sambinha «P’ra Onde Vai O Tempo», guitarra finalmente pousada e palmas em contratempo a marcar o ritmo, ou «Páro quando ouço o teu nome», composição com tanto de bela quanto de inteligente, com duas partes e uma estrutura em crescendo que fica gravada na memória.

É destes detalhes que está rechedo o disco e o espectáulo de Maro, pequenos nadas que fazem toda a diferença, entre tanto som descartável que encontramos por esses airplays e tanto tempo perdido em inúmeros festivais, apenas para descobrir que já tudo foi descoberto.

Se já éramos fãs, mais fãs ficamos.

Cara MARO/Mariana, também nós paramos quando ouvimos o teu nome. E não só não somos os únicos, como seremos cada vez mais.

Alinhamento

Deixa
O que será de ti
Not ready to say goodbye
Avô #
See you in my dreams
Adeus amor adeus *
Não me deixes *
Paro quando ouço o teu nome *
Dear young me
The way to live life
It will get better
Will I regret it
P’ra Onde Vai O Tempo

Encore
Flying to LA
Show me

2º encore
Thank you #

(*) com Carolina Deslandes

(#) original não editado em disco

Foto © Gerardo Santos / Global Imagens

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