home 45 rotações, MÚSICA Mazgani – Casa da Cultura de Ílhavo, 9/12/2017

Mazgani – Casa da Cultura de Ílhavo, 9/12/2017

Muito longe da morte anunciada pelo título do seu mais recente álbum (homenagem ao ídolo Leonard Cohen), o poeta está vivo e bem vivo. Apresenta-se pelo seu sobrenome – Mazgani – e ontem conseguiu pôr a Casa da Cultura de Ílhavo a dançar com ele.

Nascido na cidade de Teerão, em 1975, e radicado em Portugal desde a revolução iraniana de 1979, Shahryar Mazgani tem uma presença forte e carismática em palco.

Inserido na tournée de promoção do seu mais recente álbum – The Poet´s Death – o espectáculo da noite de sábado, dia 9 de Dezembro, começou poucos minutos depois das 21h30 agendadas.

Num ambiente de despojamento, o palco está negro, sem quaisquer adereços, para que nada distraia a atenção das dezenas de pessoas ali presentes. O foco centra-se na música e nos músicos. Entra o poeta, acompanhado apenas por Manuel Dordio, na guitarra, para um primeiro momento intimista, com o público rendido à sua voz e presença em palco, com “The Faintest Light”.

O álbum que nos apresenta é composto por canções sem artifícios, nas palavras do seu autor, em “reacção à sobre-estimulação dos dias de hoje”, despretensiosas e belas na sua aparente simplicidade.

Divertido, Mazgani foi capaz de estabelecer facilmente ligação empática com o público. A disposição da sala da Casa da Cultura de Ílhavo também ajudou a que isso acontecesse. O cantautor e os seus músicos estavam próximos, muito próximos. Nota muito positiva para a banda: Vítor Coimbra no baixo, Manuel Dordio na guitarra, Isaac Achega na bateria e teclado, e Peixe (Ornatos Violeta), co-produtor do álbum, na guitarra.

O concerto segue em crescendo. Das canções despojadas do início, passa para as distorções e guitarras poderosas. Sussurros tornados gritos. Peixe entra em palco a meio do concerto para “The Traveler”, o single de apresentação de The Poet’s Death e permanece até ao fim.

A única nota negativa da noite vai para o som, que, em determinados momentos, estava demasiado forte para a dimensão da sala.

No encore, Mazgani chama o público ao palco e todos dançam, em franca e divertida comunhão. Diverte-se e diverte-nos e damos por bem passada aquela hora e meia da nossa vida.

Foto © Joana Linda

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