home Folhetim, LITERATURA O Goncourt e o Renaudaut 2016 foram (bem) entregues

O Goncourt e o Renaudaut 2016 foram (bem) entregues

O prémio Goncourt 2016 foi atribuído à franco-marroquina Leïla Slimani, de 35 anos, por Chanson Douce (Gallimard, 2016), sucedendo assim a Mathias Énard no maior prémio literário francês da actualidade.

O seu segundo romance foca-se num trágico infanticídio, que se baseia livremente num fait-divers que sucedeu há uns tempos nos EUA, em que uma baby-sitter matou duas crianças que tinha ao seu cuidado. Para além desta vertente mais policial, a escritora aborda de forma audaciosa alguns dos desafios que ainda se colocam às mulheres, nesta contemporaneidade que insiste tratar o “belo sexo” como subalterno. Ao mesmo tempo, retrata a relação feminina com a maternidade, nomeadamente a ambiguidade dos laços que se estabelecem entre mãe, filhos e baby-sitters ou amas, tocando também os problemas de luta de classes e da xenofobia encoberta (a baby-sitter é magrebina), que ainda subsiste nos lares franceses.

Quanto ao prémio Renaudot, foi entregue à veterana Yasmina Reza por Babylone (Flammarion, 2016). Escritora experiente, dramaturga sagaz e mulher conhecida pela sua personalidade forte e vincada, Reza ganha com este livro o Renaudot e o Gouncourt dos liceais, em que o júri é constituído por 2000 alunos entre os 15 e os 18 anos.

A um palmarés que fala por si, com dois Tonys e dois prémios Lawrence Olivier, Reza junta estes dois prémios prestigiantes a uma carreira invejável, por via deste Babylone, que retrata um jantar organizado por uma sexagenária, em que festeja o seu aniversário, e que rapidamente se degrada numa tragédia sangrenta.

Dois livros ainda sem tradução em Portugal, situação que, com certeza, não se manterá durante muito tempo.

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