home LP, MÚSICA Angel Olsen – Hard Club, 24/1/2020

Angel Olsen – Hard Club, 24/1/2020

Os chavões das crónicas e críticas musicais caem por terra diante da desarmante verdade das letras e músicas de Angel Olsen. É assim desde que se apresentou ao Mundo com Strange Cacti (Bathetic Records, 2010) e mantém-se no mais recente All Mirrors (Jagjagwar, 2019), em que a intimidade e vulnerabilidade habituais nas suas composições são cobertas pelo manto diáfano das épicas cordas, orquestrações e electrónica, que as elevam sem as desvirtuar. Reproduzir esse equilíbrio em palco exigiria um orçamento proibitivo e anunciava-se impraticável. No Hard Club, com um violino, um violoncelo, guitarra ritmo, baixo, bateria e teclas, por vezes duplicadas (Olsen toca guitarra e teclas amiúde, mais livre agora para atender ao público que a adora e se dedicar às emoções das letras), a americana demonstrou como um dos melhores álbuns de 2019 é bem mais do que o seu hype ou uma inconsequente megalomania musical. O público que lotou a casa portuense foi presenteado com um pensado e belo encontro entre a singeleza das suas baladas introspectivas e o poder que os instrumentos e a tecnologia certa podem trazer a uma música que vale por si.
Música de encontros e desencontros, manteve intacta a sua matriz romântica e nostálgica, convidando o desejo oculto finalmente segredado e a dança bem colada para cristalizar cada palavra e acorde. Olsen veste de negro, absorvendo a luz e escondendo a sua beleza nas sombras, porque consigo música e voz são rainhas, independentemente da parafernália que as acompanha. A comunicação terna e afável com o público flui entre temas, retirando-lhes o peso dramático que alguém mais ingénuo possa confundir com qualquer tormento existencial autobiográfico. À entrega demonstada em cada frase o público responde com silêncio devoto, proibindo qualquer conversa paralela, como se de uma leitura eucarística se tratasse, algo desconcertante aquando dos momentos mais intensos em palco. Os músicos foram perfeitos, falhando apenas o som da casa, inconstante e sem a nitidez que as cordas e harmonias exigiam.
Angel Olsen arriscou e ganhou com este All Mirrors e a sua reprodução tão honesta e sentida no formato concerto, acrescentando sofisticação e bom gosto a uma obra ímpar na sua poesia e beleza. Uma daquelas noites para mais tarde recordar.

Alinhamento:
Intro
All Mirrors
Spring
Impasse
Lark
Summer
Tonight
Special
Shut Up Kiss Me
Forgiven/Forgotten
Windows
Endgame
(Música nova)
Encore:
Chance

Mais Música AQUI.

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