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Poetic Scenes - Vasco Dantas (ARS Produktion, 2020) - INTRO
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Poetic Scenes – Vasco Dantas (ARS Produktion, 2020)

Vasco Dantas é um dos mais relevantes pianistas portugueses da sua geração. Ao contrário daquela que parece ser a tendência no meio, tem conseguido transportar o seu talento para o mercado internacional, edificando uma carreira de sucesso. Poetic Scenes for Piano (com selo da ARS Produktion) é já o seu 3º trabalho discográfico, uma seleção cuidadosa de repertório do período Romântico alemão e português, que explora os vínculos entre ambos.
A abrir, o pianista oferece-nos uma interpretação notável das intemporais “Cenas Infantis” de Richard Schumann. No conjunto das treze peças, conseguimos perceber o cuidado ao nível do touché para conseguir uma articulação assinalavelmente precisa (fulcral na interpretação de todo o ciclo, mas muito evidente por exemplo logo na segunda peça – “Kuriose Geschichte”) e um controlo absoluto dos contrastes tímbricos de cada peça. A candura e simplicidade deste repertório é, não raras vezes, o seu maior obstáculo, mas Vasco Dantas ultrapassa-o com mestria, recusando os clichês que durante anos ensombraram as interpretações portuguesas desta obra (como se torna muito nítido por exemplo na sétima peça – “Traumerei”). De assinalar ainda a sua interpretação das últimas duas peças – “Kindim Einschlummern”e “Der Dichterspricht” – de grande profundidade emocional, denotando, por sua vez, um controlo absoluto do texto e da própria técnica pianística.

As seis faixas seguintes do disco são dedicadas a uma estreia absoluta: a interpretação de algumas transcrições de lieder do mesmo compositor pelo seu amigo próximo Carl Reinecke. De facto, para ouvidos mais desatentos, facilmente passariam por transcrições do próprio Schumann, tal é a fidelidade com as obras originais. A inclusão deste repertório no disco comprova a inteligência do pianista, pois para além do valor histórico da própria estreia, percebemos como se alicerça na própria competência da sua interpretação, provada pelo lirismo do fraseio com que pontua cada um destes lieder. Embora outros instrumentos sejam mais facilmente equiparados à voz – como o violoncelo – nestas belíssimas interpretações (em que o lied “Widmung” será talvez um dos pontos culminantes de todo o disco) verificamos que também o piano pode cantar, desde que nas mãos certas.

Entrando nas seleções de repertório português (em que todos os compositores tiveram uma formação vincadamente germânica), podemos observar os traços interpretativos mais marcantes deste jovem pianista. Nas “Cenas Portuguesas”, obra icónica de Vianna da Motta (o compositor português do período Romântico por excelência), constatamos a vasta paleta tímbrica de Vasco Dantas, assim como um cuidadoso trabalho de construção de diferentes planos sonoros. De uma escrita por vezes muito densa, sobressai com surpreendente facilidade a melodia, demarcando um traço algo incomum: a portugalidade (por vezes efervescente, como conseguimos ouvir na “Chula”, a segunda peça deste ciclo) que o pianista aqui capta com grande qualidade.
As últimas 6 faixas deste disco são dedicadas ao fado, passando por Alexandre Rey Colaço, Óscar da Silva e Eduardo Burnay, provando que, apesar de não ser imediata esta associação do Fado com o universo da música erudita, este foi inspiração para diferentes compositores do nosso período Romântico. Também aqui se destaca a forma equilibrada como o pianista utiliza o rubato, característica que notamos logo no tema de Vianna da Motta, mas que sobressai na sua interpretação destes fados. Ao ouvir, por exemplo, o quarto e o oitavo dos “Fados para Piano” (Colaço) fica claro que também o piano consegue capturar a essência dos diferentes fados que compõem a nossa tradição, reproduzindo fielmente tanto a efusividade como os lamentos mais intimistas. Só a repetida audição torna nítidas as matizes desta vincada portugalidade que Vasco Dantas aqui deixou registada.

Depois de ter gravado Liszt, o apogeu do virtuosismo pianístico, com o repertório que aqui interpreta Vasco Dantas prova que um exímio pianista se destaca também pela simplicidade. A juntar aos dois discos com o selo da KNS Classical, Poetic Scenes reitera o seu talento e uma carreira cada vez mais consolidada. Aguarda-se com expectativa o novo disco para Outubro, decorrente da parceria com o Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa.

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