home Didascálias, TEATRO Teoria das Três Idades – TNDMII, 26/02/2019

Teoria das Três Idades – TNDMII, 26/02/2019

Felizmente foi a peça Teoria das três idades a encerrar a trilogia dos recém nascidos.
Talvez falar em recém nascido não seja rigoroso. Como a atriz Sara Barros Leitão ironiza, não só todo o teatro é experimental – pelo que o nome, Teatro Experimental do Porto, peca por excesso – como o TEP é o teatro mais antigo em Portugal, fundado em 1951. Um recém nascido crescidinho.
Caixas e mais caixas e a Sara deambula pelo espaço, enquanto uma cassete lhe dita como recuperar e organizar um arquivo. Entre as regras rígidas e a adaptação à realidade daquelas instruções, são as pausas (como sempre…) que fazem o teatro acontecer. O público ri, não há hipótese de falha (mesmo quando é previsível que entre o diz que faz e não faz – a fita cola já usada que afinal é inadequada, mas, ups!, afinal até há uma sem efeitos secundários letais para aquele papel velho – o desdizer talvez seja a chave da surpresa e da gargalhada). A Sara dá-nos o ritmo que precisamos para que o entusiasmo não esmoreça.

Teoria das Três Idades

TEORIA DAS TRÊS IDADES | Ensaios | Diário de BordoDia #35 Ontem fiz o primeiro ensaio corrido. Correu tudo mal. Faltam três dias para me despedir da sala de ensaios que me tem dado tantas dores de garganta e alergias. Ao mesmo tempo, a sala sem janelas tornou-se confortável para quem faz sem ser visto. Por outro lado, começo a ter uma vontade imensa de partilhar este trabalho, e um medo, um medo que é do mesmo tamanho que a vontade. Criação e interpretação | Sara Barros Leitão Assistência à criação | Patrícia Gonçalves Cenografia e figurinos | Catarina Barros Desenho de Luz | Cárin Geada Sonoplastia | Luís Vieira Fotografia e Vídeo | Eduardo BredaApoio à Pesquisa | Joaquim Portugal© Eduardo Breda Estreia 18 de Junho no Teatro Municipal do Porto - Rivoli . Campo Alegre, inserido na programação do FITEI - Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica. Uma co-produção Teatro Experimental do Porto e Teatro Municipal do Porto.

Posted by Sara Barros Leitão on Wednesday, June 6, 2018

Em cena, faz uma incursão pelos arquivos do TEP, no meio do que ficou depois do incêndio nas instalações, das imagens registadas, das atas, das cartas recebidas e enviadas pelo encenador, pelo público, pelos associados… Resta o que ficou gravado em cassetes, a conversa no café com alguém que não queria gravador, as folhas de sala, os recados do diretor, os registos dos ensaios, as reivindicações dos atores, papel e mais papel com ‘sonhos’ de gente de longe que quer ser ator, que quer fazer teatro, folhas com memórias.
E é com sentido de humor, sensibilidade e ritmo que cose o espetáculo e percorre essas memórias. Com ela vivemos a censura, e os censores nunca se atrasam, o 25 de abril, o grito apaixonado, até à rouquidão (que o impede de repetir o espetáculo no dia seguinte), do ator, em alegria, naquele largo, fraterno e revolucionário 1º de maio.
No final, estamos todos de pé, a aplaudir a Sara e o TEP, celebrando o teatro e a paixão que a moveu para fazer este espetáculo.
O TEP renasceu das cinzas, e permanece vivo, a fazer e a levar teatro, o TEP e a sua gente que nasce e renasce sempre, essa gente genuína, vertical, lutadora que é a nossa gente, a gente do Porto. E que não esperem que refreemos entusiasmo depois de uma homenagem tão generosa a uma companhia da nossa cidade. Obrigada, Sara. Parabéns TEP.  “Foi bonita a festa, pá”.

Por defeito profissional, Joana Neto escreve de acordo com o novo desacordo ortográfico.

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