Como Ela Morre – TNSJ, 24/3/2017
Ao contrário do romantismo, onde a forma era raínha, Como Ela Morre despe-se de todos os artifícios, concentrando a atenção do espectador no texto e nas actuações do elenco.
Ao contrário do romantismo, onde a forma era raínha, Como Ela Morre despe-se de todos os artifícios, concentrando a atenção do espectador no texto e nas actuações do elenco.
Gorki, um dos mais eminentes escritores da sua geração, é um produto da sua época. No entanto, mais de um século depois da sua génese, o texto de “Veraneantes”, como tantas obras dos seus contemporâneos, surpreende pela sua intemporalidade e alcance assombroso do largo espectro da psique e das relações humanas.
A personagem central é o reverendo T. Lawrence Shannon (Nuno Lopes, que sozinho faz valer cada cêntimo do bilhete), “padre-despadrado-feito-guia-turístico” de senhoras evangélicas, caído em desgraça pela sua irreprimivel tendência para o sexo oposto, de preferência na adolescência e incapaz de se libertar do fardo da culpa e frustração por destruir uma carreira para que sempre achara ter vocação.
Breu total. Em duas telas negras, transcrições das vozes de crianças que supomos sírias ecoando no teatro, como espectros, durante longos instantes de tempo paralisado, anestesiante. Falam de saudade de uma vida digna, de um bife, dos tios e dos pais, de ir à escola. A nú, a total impotência, de quem ouve e quem fala, …
O Teatro Nacional S. João (TNSJ) apresentou o seu programa para o primeiro trimestre e as novidades são excelentes. A abrir 2017, entre 5 e 29 de Janeiro, os Clã e Regina Guimarães estreiam no Teatro Carlos Alberto (TCA) o seu novo espectáculo Fã, em que, aproveitando ideias do célebre musical “O Fantasma da Ópera” de …
A companhia portuense Circolando distingue-se, desde a sua criação em 1999, pelo cariz do trabalho que sempre apresentou, apostando na fluidez de formatos e registos cénicos, com resultados consistentemente emotivos e fascinantes, mesmo quando desafiam o espectador, colocado perante a surpresa, o absurdo e a abstracção. Desde que vimos Casa Abrigo, no ano já longínquo de 2008, …
“Como em todas as grandes obras de arte, o trabalho primordial cabe ao seu destinatário: o espectador. É deste que se espera, senão a empatia, pelo menos a curiosidade e a formulação de dúvidas legítimas, perante verdades tidas por absolutas e propaladas como óbvias, mesmo quando a factualidade envolvente indica a sua negação categórica.”