NOS Primavera Sound (8/6/2018) – Luzes, cores, ACÇÃO!
Quando nada o faria esperar, num dos dias de programação mais bipolar dos sete anos do NOS Primavera Sound, o divertimento chegou de braço dado com a boa música.
Quando nada o faria esperar, num dos dias de programação mais bipolar dos sete anos do NOS Primavera Sound, o divertimento chegou de braço dado com a boa música.
Chuva num festival ao ar livre, como o NOS Primavera Sound, condena as actividades à partida. As selfies ficam desfocadas por falta de luz, os vídeos fraquinhos pelo mesmo motivo, as movimentações no recinto são mais pensadas, para poupar a farpela comprada de propósito para o novo look festivaleiro, e a coroa de flores na cabeça perde …
Os talentos vocais foram acompanhados pelas tiradas bem dispostas para descomprimir, como que a lembrar-nos que tudo aquilo não passa de Arte.
A cada momento, Lemper adicionava um novo tempero, uma inflexão nunca antes escutada, garantindo que a sua performance nunca se fica pela repetição. De sorriso ocasional, olhos rasgados, esta alemã transcende-se em placo, demonstrando o que distingue uma diva de uma mera cantora.
Ela tinha que ser mais forte, mais macho que os machos, e mais bêbada que todos os outros cantores», comenta um dos intervenientes. Numa sociedade homofóbica, misógina e patriarcal, tornou-se numa fora da lei sexual.
Naquela noite fria de Primavera, o CAE da Figueira da Foz foi pequeno para receber aquele alien de 1,93m (mas que em palco parece ter muito mais) – de passaporte britânico mas avesso a fronteiras – um “alien of extraordinary ability”, de acordo com o visto aposto no dito passaporte à entrada dos EUA. Nunca tal expressão terá sido mais bem empregue em alguém, com toda a certeza, quanto em Benjamim Clementine.
Deixámos de ver a Sofia, menina e bem-disposta, para termos em pleno no jardim do CAE, Lince, mulher sedutora, envolvida e perdida na sua música, no seu mundo.
Furtado mantém-se numa forma invejável, irrepreensível no ataque a cada letra e acorde, rejuvenescido pela companhia em palco de músicos de excepção. Um concerto a não perder, em qualquer sala deste planeta.
A última música é o exemplo maior do concerto: um som enorme, abrilhantado pelos falsetes de Catarina Miranda, que, unindo tradição e modernidade num equilíbrio muito interessante, expande a nossa noção de espaço.
Excelente concerto a coroar uma louvável iniciativa do CAE da Figueira da Foz.