Um retrato muito dinâmico e vivo do Portugal dos anos 1960”, disse Manuel Alegre, Presidente do Júri. Senti que foi mais do que isso. Julgo que Nuno Duarte ensaiou, de facto, uma nova voz na literatura portuguesa.
Em setembro de 1942, as forças alemãs continuavam a avançar em direção a Estalinegrado, os Aliados lutavam contra os japoneses em Guadalcanal e 36 judeus chegavam a Tora e Piccilli (a norte de Caserta), vindos de Nápoles, enviados pelo regime fascista, para ali ficarem confinados. O rumo da guerra ia mudando aos poucos. O caminho …
Este não é um simples romance, porque as histórias que conta são reais e estas personagens foram homens como nós, com família, amigos, sonhos e perdas. É, por isso, um romance obrigatório, para não deixar no cair no esquecimento o mais negro episódio da ditadura portuguesa.
“Da voz de Bibiana e da mudez de Belonísia, cujo timbre sempre foi o som do mundo, fala-nos Itamar Vieira Junior neste romance que retrata em poesia a verdade do sofrimento e crueldade humanas e a resiliência digna de quem, derrotado, terminará por vencer. «Sobre a terra há de viver sempre o mais forte.». Deleitem-se!”
Por entre as diferentes épocas de dois séculos contíguos, o autor navega avisadamente e, anunciando expressamente onde nos devemos situar, ao leitor é vedado deixar-se guiar pelas referências ou até pelos recursos linguísticos que, aqui e ali, claramente lhe serviriam de GPS.
Maria Teresa Horta vê editado pela primeira vez na D. Quixote Ema, o seu segundo romance que, em 1984, venceu o Prémio Ficção da Revista Mulheres. A história é dura e tensa, no ambiente claustrofóbico de uma casa, onde os espectros de várias gerações de Emas ainda habitam: uma avó morta pelo avô, uma mãe que …