MARO – Casa da Música (Sala 2), 8/7/2018
Cara MARO/Mariana, também nós paramos quando ouvimos o teu nome. E não só não somos os únicos, como seremos cada vez mais.
Cara MARO/Mariana, também nós paramos quando ouvimos o teu nome. E não só não somos os únicos, como seremos cada vez mais.
Imaginem um convite para uma noite descontraída de convívio com um dos vossos guitarristas favoritos, (por mero acaso, um dos melhores da História) em que ele aparecia munido da sua guitarra e recriava alguns dos seus melhores temas, acompanhados por alguns dos seus amigos . É este o conceito idealizado para sustentar a mais recente digressão mundial de Pat Metheny.
A nós, que tentamos recriar ambientes e momentos, resta-nos esta (tentativa de) evocar um concerto especial pelo todo público/banda que urdiu, em que noções como fã ou conhecedor foram irrelevantes, perante a ubiquidade dos sentimentos e do respeito mútuo, da gigantesca corrente eléctrica que atravessou os presentes, que espantou, para depois apaziguar e gerar o prazer que fabrica memórias.
Quando nada o faria esperar, num dos dias de programação mais bipolar dos sete anos do NOS Primavera Sound, o divertimento chegou de braço dado com a boa música.
Chuva num festival ao ar livre, como o NOS Primavera Sound, condena as actividades à partida. As selfies ficam desfocadas por falta de luz, os vídeos fraquinhos pelo mesmo motivo, as movimentações no recinto são mais pensadas, para poupar a farpela comprada de propósito para o novo look festivaleiro, e a coroa de flores na cabeça perde …
Estes são apenas alguns motivos de interesse desta renovada Granta, uma porta que fica aberta a novas vozes da portugalidade, da qual se augura um sucesso ainda maior que o da sua versão anterior.
O momento já estava a ser preparado por Roth há anos, para que se eliminasse a incógnita inevitável.
Os talentos vocais foram acompanhados pelas tiradas bem dispostas para descomprimir, como que a lembrar-nos que tudo aquilo não passa de Arte.
A ironia é que fica quase tudo pela alusão e presságio, e o livro termina rodeado de uma atmosfera etérea (“nada disto é real.” – pg. 121), deixando-nos a sensação desarmante de testemunhar a falsa simplicidade das grandes obras literárias.
É tamanha a arte da narrativa que nada é inocente.