“Se a peça nos fala da troca dos sonhos pela rotina, do esmorecimento das tragédias pela sua conversão em quotidianos vulgares, de vidas sem história que a História já deixou para trás, e afinal do que é a felicidade, revela-nos também (e sobretudo) aquilo de que o teatro é capaz, quando se trata de verdadeiro Teatro!”
“Esta trilogia de Javier Marías torna-o, a nosso ver, natural candidato ao Nobel da literatura, pela espessura da obra, pela análise dramática com que permeia qualquer gesto, a todo o momento, de cada uma das personagens e, uma vez mais, pela notável elaboração de uma extensa narrativa…”
“O desencanto perante a vida, único elo entre os seis personagens em estágio mais ou menos semelhante de balanço entre o que viveram, o que são, e qual a fé, ou ausência, que os move, poderia, a nosso ver, ter resultado em algo mais apelativo e que não sobrevivesse somente à custa do enorme mérito de quem dá corpo e voz às personagens e também, porque não, à memória do incontornável Dostoiévski.”
E se o leitor se vai sobressaltando entre parágrafos à procura de um enredo, desengane-se, porque provavelmente desistirá deste autor. É único no seu estilo…
A proposta de infinito, a elite de uma espécie de deuses em carne débil e fraca, esbate-se perante um apelo maior: o amor de uma mãe pelo seu filho, o amor de um homem por uma mulher, a família, a vontade incontornável de o Homem ser emoção e linguagem, perigoso construtor de utopias que, a realizarem-se, serão comprovadamente o seu maior infortúnio.
Do São Luíz, para além de um bom espectáculo de teatro, trazemos a vontade de revisitar as palavras de mel de Mia Couto.
O primeiro volume desta trilogia de Javier Marías revela um conhecimento profundo sobre a natureza humana, traduz um autor atento, observador, estudioso, um catedrático no Homem e nas suas imperfeições, lança as fundações do que promete vir a ser um envolvimento num verdadeiro romance de espionagem
Hoje estarás comigo no paraíso, segundo romance de Bruno Vieira Amaral, é um livro de memórias, contado na primeira pessoa, por uma personagem homónima do autor.
Mensagem subliminar, mas que percorre toda a narrativa, é a da literacia como arma poderosa na luta, na fuga e na conquista, como janela para o Mundo e para a emancipação, como estrada ainda mais subterrânea, porque pertença inexpugnável de cada um e da sua identidade.
“o autor não deixa de nos fazer voar sobre os telhados, um voar lúgubre, uma visitação à condição humana, aos desejos de um velho por uma rapariga jovem, à estupidez da morte, da incapacidade, da deficiência, do divórcio, do vício e da solidão, com meros vislumbres do riso e do amor que aqui, não aparece nunca como solução mas antes como aprendizagem.”