Vemo-nos ao Nascer do Dia – Teatro da Politécnica, 8/11/2019
Vemo-nos ao Nascer do Dia é sobretudo um magnífico momento a duas personagens, duas actrizes às quais, muito merecidamente, terminamos rendidos.
Vemo-nos ao Nascer do Dia é sobretudo um magnífico momento a duas personagens, duas actrizes às quais, muito merecidamente, terminamos rendidos.
Carmen Santos e Luís Lima Barreto conseguem tornar credível uma conversa com fantasmas, um conjunto de cadeiras vazias onde imaginariamente dois velhos sentam os seus convidados.
“(…) a história decorre de forma directa e arrebatadora e o leitor vai devorando linhas, páginas, capítulos, na ânsia de saber qual o destino da pequena «Malacarne»”
“Da voz de Bibiana e da mudez de Belonísia, cujo timbre sempre foi o som do mundo, fala-nos Itamar Vieira Junior neste romance que retrata em poesia a verdade do sofrimento e crueldade humanas e a resiliência digna de quem, derrotado, terminará por vencer. «Sobre a terra há de viver sempre o mais forte.». Deleitem-se!”
“O texto de uma grande dificuldade não atrapalha nenhum dos actores. Proferem-no com a naturalidade possível, repetindo referências que já não são comuns aos espectadores.”
“A linguagem mistura de forma arrojada o discurso poético com o linguajar brejeiro e actual dos jovens, a um tempo elevando o espectador aos pensamentos mais profundos sobre a razão da existência e mantendo a coerência na construção das duas personagens principais…”
“A escolha está sempre ao alcance de todos. Os monstros são, porventura, banais criaturas a quem foi dado a escolher.”
“A mulher que corre atrás do vento é uma ode ao feminino, um trilho sagaz sobre as diversidades da mulher, um relato sóbrio, sensível, perspicaz e revelador do que une os sexos e, inevitavelmente, do que os separa.”
Entre cenas, sentimos o coração acelerado, a respiração alterada e somos genuinamente arrastados pela vivência do medo. Tal qual como num bom filme de terror, obrigamo-nos a relembrar a espaços de que tudo é afinal representação, que o que se apresenta à nossa frente é um palco, que são actores… e que actores!
“Como queremos nós ver a vida e, sobretudo, como pretendemos levá-la?”