Gorki, um dos mais eminentes escritores da sua geração, é um produto da sua época. No entanto, mais de um século depois da sua génese, o texto de “Veraneantes”, como tantas obras dos seus contemporâneos, surpreende pela sua intemporalidade e alcance assombroso do largo espectro da psique e das relações humanas.
Uma boa refeição gourmet torna-se única pelo seu todo: o cuidado na selecção e confecção dos alimentos, quantidades reduzidas de elevada qualidade, um conceito, a combinação de sabores distinta e a habilidade de criar uma experiência sensorial global. A música de João Hasselberg tem esse raro dom: ser gourmet, em tudo o que de melhor esse …
António Zambujo traz o seu álbum de homenagem a Chico Buarque ao Coliseu do Porto (16 de Junho) e de Lisboa (24 de Junho).
Depois de ter revelado o single “Anymore” (o excelente vídeo está AQUI) há uns dias, o grupo de Allison Goldfrapp apressou-se a apresentar música nova, chamada “Ocean”. As comparações com os veteranos Depeche Mode são incontornáveis e elogiosas. Aos sintetizadores em loop, junta-se a voz inconfundível da britânica e um ritmo dolente, para assim criar …
George Saunders foi e é um dos protagonistas do resgate da modorra irónica, egocêntrica e estilisticamente centrada, comum a muita da literatura de finais séc. XX/inícios séc. XXI, devolvendo-lhe o papel de mediação entre o leitor e o Mundo.
Cada concerto do pianista Brad Mehldau é uma experiência única. Desta vez, com a Casa da Música (novamente) cheia, suspensa em cada nota, a opção de Mehldau e do seu trio (Larry Grenadier no contrabaixo e Jeff Ballard na bateria), foi para um formato similar ao recital. Do alinhamento de nove temas, dois terços foram …
Os britânicos TOY estão de regresso a Portugal. Desta feita actuarão no Porto, no próximo dia 8 de Março, numa das suas melhores salas: o Hard Club. Em Outubro de 2016 lançaram o seu terceiro álbum Clear Shot (Heavenly Recordings), pelo que se espera seja a base do alinhamento. O shoegaze é a base do …
A aventura da palavra, sempre inóspita, por mais que a julguemos domada. Fugindo à celebração reverente do poeta ungido, Dinarte Branco ousa criar visões, ampliando sentidos e alcances iniciais, aparentemente definitivos. Um espectáculo memorável.
A personagem central é o reverendo T. Lawrence Shannon (Nuno Lopes, que sozinho faz valer cada cêntimo do bilhete), “padre-despadrado-feito-guia-turístico” de senhoras evangélicas, caído em desgraça pela sua irreprimivel tendência para o sexo oposto, de preferência na adolescência e incapaz de se libertar do fardo da culpa e frustração por destruir uma carreira para que sempre achara ter vocação.
Jean Genet teve a clarividência e o dom de espelhar em toda a sua obra o homem que foi, algo particularmente penoso se atendermos à sua biografia.