A grande vaga de frio (com ORLANDO de Virginia Woolf) – TeCA, 19/11/2017

Não é uma dramatização do romance de Virgina Woolf, assume-se antes como uma transfiguração do romance numa outra coisa, que coloque em evidência as questões que dele emanam, trabalhadas pela investigação literária exaustivamente, e que aqui adquirem novos sentidos, ou, para sermos mais exatos, apelam à possibilidade de reconstrução constante de novos sentidos.

A Promessa – TNSJ, 25/11/2017

Esperamos que este seja só o início e lançamos o repto: “A Promessa” é a primeira parte de um tríptico composto por “O Bailarino” e “A Excomungada”, onde os comportamentos neuróticos só se vão exacerbando, respetivamente por parte de um bailarino homossexual e de uma candidata a freira que sexualiza a ideia de Deus. Porque não manter o ritmo e dar a conhecer ao grande público estas joias inutilizadas por essas bibliotecas fora?

As Nossas Almas Na Noite – Kent Haruf (Alfaguara, 2017)

A perspetiva de narração heterodiegética e a ausência de floreados literários torna a obra acessível (e dirigida) ao grande público. Mais para o final do livro, e com o autor perto da morte, surge a intertextualidade autorreferencial como que a fechar a Obra de uma vida. Será sobretudo este aspeto que explicará o sucesso deste seu último livro nos Estados Unidos.

Às vezes são precisas rimas destas – Poesia política portuguesa e de expressão alemã (1914-2014) (Tinta da China, 2017)

Com traduções de Paulo Quintela, João Barrento, ou Yvette Centeno, entre muitos outros (identificados junto a cada uma das traduções), é uma edição bilingue, com poemas portugueses traduzidos para alemão, e vice-versa. O volume apresenta-se cuidado na explicação da sua organização, desde aspetos de ordem ortográfica, à informação sobre fontes consultadas, à bibliografia utilizada. Um portento, portanto, tanto para leitores portugueses como alemães.

Lágrimas de Sal – Pietro Bartolo e Lidia Tilotta (Objectiva, 2017)

“Sabemos da insuficiência da nossa sensibilidade para tanta dor que não conhecemos porque não sabemos o que é ter de, obrigatoriamente, enfrentar um deserto, um mar, com fome, com sede, com feridas, com suspeitas de estar grávida, com buracos no corpo, com perdas durante o caminho, materiais, humanas, físicas. É uma realidade que nos está barrada. “

António e Cleópatra (FITEI) – Teatro do Campo Alegre, 17 de Junho

A tragédia de António e Cleópatra, sobejamente conhecida, encontra na encenação e texto de Tiago Rodrigues (estreada originalmente no D. Maria II em 2015), uma adaptação ao mundo atual, que tanto despreza as grandes narrativas. Perante a ditadura do ligeiro, da leveza, do rápido, é possível fazer pesar nos ombros de uma plateia, em uma …