Se o estilo de vida tão pouco tradicional fará de Else uma mãe diferente das outras, já a inércia perante o avanço da história na Alemanha será comum a todos os judeus do círculo em que se movia.
Ao longo de “O Censor Iluminado” somos guiados a ler, com a devida contextualização, textos até agora adormecidos em arquivos, e que Tavares organiza de forma a esclarecer os critérios utilizados por esta exclusiva equipa censória para a aprovação ou reprovação de uma obra para o mercado português.
Partindo de uma fugaz história de amor, o romance apresenta o percurso dos dois amantes de uma noite de forma independente, sem que nunca mais se voltem a encontrar.
Os vários quadros que compõem este A meio da noite registam o processo de construção do espetáculo. O que retira cada ator da visualização de um filme de Bergman?
Timão de Atenas mantém o interesse que Nuno Cardoso tem demonstrado na última década pelo tratamento das outras crises que aquela que é económica nos chama a pensar. Para isso, remete os clássicos para o mundo em que estamos imersos, com vários objetos que materializam essa imersão enquanto adereço cénico.
“A história tem destas coisas. Se Donald Trump não tivesse chegado à Casa Branca, este livro manter-se-ia esquecido até que alguém minimamente parecido lá chegasse.”
Resta esperar que alguém com imaginação e criatividade, e com força para criar atuações verosímeis, coloque este texto em cima de um palco português com a dignidade que ele merece. Agradecemos o esforço e a vontade, mas se é para fazer assim, preferimos não ver.
“(…) foi a indiferença das pessoas que permitiu que tudo acontecesse. Não quero de forma alguma associar esta realidade a pessoas específicas (…). O facto de nos sentarmos hoje de novo em frente da televisão a assistir a esta história terrível na Síria, o modo como centenas de pessoas fogem de lá. E depois não deixamos de passar alegremente o nosso serão. Não mudamos a nossa vida por causa disso.”
Ainda assim, vale a pena parar durante uma hora para assistir a este “Magma”, sobretudo porque, como Flávio Rodrigues nos demonstra, ninguém está disposto a pensar a sua condição de soldado na atualidade: a participação na guerra pela indiferença.
Quando o processo chega ao fim, somos confrontados com a universalidade da experiência de Elizabeth – escritora e ser humano –, em julgamento sem resolução à vista. Devemos um louvor aos (apenas) cinco atores em palco, em especial à assertiva Cucha Carvalheiro enquanto Elizabeth,