Ao longo de “O Censor Iluminado” somos guiados a ler, com a devida contextualização, textos até agora adormecidos em arquivos, e que Tavares organiza de forma a esclarecer os critérios utilizados por esta exclusiva equipa censória para a aprovação ou reprovação de uma obra para o mercado português.
Com este O Escuro Que Te Ilumina, José Riço Direitinho põe de lado a crítica literária, em que se destacou pela excelência, para se atirar à utopia de mudar este paradigma pela sua pena, tentativa que, apesar de louvável, se fica pelas intenções.
Mas para nós, os seus leitores, os escritores nunca morrem e este livro, que os revela na sua intimidade partilhada, está aqui para provar isso mesmo.
Partindo de uma fugaz história de amor, o romance apresenta o percurso dos dois amantes de uma noite de forma independente, sem que nunca mais se voltem a encontrar.
Irmão de Gelo é um livro verdadeiramente especial na sua singularidade, de um lirismo pragmático e lúcido, destinado àqueles que, como a autora, têm na leitura a sua actividade subversiva preferida.
A marroquina Leïla Slimani criou uma obra ambiciosa e impactante, bem para além da derradeira página, não só pela crueza dos factos, mas pela ténue culpa que desperta em nós, testemunhas silenciosas e cúmplices de uma estrutura societária e familiar anquilosada em colapso iminente, que em Canção Doce, cede pelo lado mais fraco, com efeitos devastadores.
Há um denominador comum nestes contos – a sobrevivência: a traumas de guerra, a traumas de infância, a acidentes, à pobreza extrema, à vergonha, a preconceitos.
O Corvo dá o mote e as crianças mordem a isca. Qualquer um dos narradores nos engana, como também se engana a si mesmo. Nada mais natural do que iludir a realidade, para também a dor lhe seguir o curso, dissimular as suas origens.
Apesar de se tratar de uma obra extensa, as suas centenas de páginas não nos desmotivaram e, se não nos tornaram entusiastas de policiais, tiveram a virtualidade de nos aguçar a curiosidade, dando-nos, quiçá, uma oportunidade para maior conhecimento deste autor e deste género literário.
«Toda a literatura é abstracta, concretas são as pedras. Não aceitar isto é aceitar a literatura como copiadora do concreto, como uma segunda mesa, ou uma segunda casa. (…) A literatura tem objectos próprios, completamente distintos dos que existem na vida dos vivos. Não confundas um escritor com um arrumador de mobílias.»