Apesar de ter todos os ingredientes para uma mistura de emoções baratas e manipulação básica dos sentimentos do leitor, este livro de David Machado, reeditado recentemente, escapa nos interstícios dessa malha em que tantos se deixam enredar…
Mais do que um romance, o Samurai apareceu-nos como uma verdadeira lição de leitura. Às vezes, antes de ler, é preciso aquietar. Encontrar o nosso espaço de silêncio e fazer do livro a nossa oração.
Uma edição essencial para qualquer apreciador de melhor que a Arte portuguesa tem para oferecer, com o bónus de ter ao dispôr um dos livros derradeiros de Flaubert e de ficar a entender ambos com o escrita informada e incontornável de Maria Filomena Molder.
Sem pretensões de completude ou sequer de qualquer tipo de edição crítica ou definitiva da obra do mestre, este Poesia é uma excelente introdução à escrita e ao imaginário de Mário Cesariny…
As Quintas de Leitura são, hoje em dia, uma instituição e, mais do que isso, uma referência no panorama cultural do Porto…
O fim do fim da terra (D. Quixote, 2018) é um conjunto de ensaios escritos maioritariamente nos últimos cinco anos por Jonathan Franzen…
Sendo uma parábola ao conformismo e à resignação, a leitura de A Revolução e a reflexão sobre a sua mensagem mantém-se e, ousamos prever, manter-se-á actual pelos anos vindouros. As belíssimas ilustrações de Tiago Galo, acrescentam-lhe valor e transformam o livro-objecto-físico numa fina peça de arte.
Com uma intervenção bastante morna em termos de dinâmica e relevância de conteúdos, a canadiana soube ganhar o público num crescendo irresistível, pontuando a sua intervenção com comentários irónicos e cómicos que fizeram as delícias das centenas que esgotaram o Teatro Rivoli.
Esta conceptualização do corpo como um organismo construído em sociedade passível de ser alterado, reescrito e recodificado, serve como ponto central para a proposta de Preciado: vivemos, neste preciso momento, uma revolução na qual aqueles e aquelas em posições subalternas têm finalmente acesso às tecnologias de poder para responder à hegemonia heterossexual.
É inevitável que, sendo esta a última obra de Sam Shepard, escrita quando já profundamente acometido pelas debilitações da esclerose lateral amiotrófica, que causou a sua morte em 2017, se lhe atribua um carácter autobiográfico. É impossível não fazer o paralelismo e fantasiar que Shepard nos deixou um breve vislumbre dos seus últimos pensamentos, mostrando-nos os fragmentos de clarividência, confusão, das quimeras e memórias que o assolaram perto do fim.