Made In China – Mosteiro S. Bento da Vitória, 27/11/2019
Um espectáculo inesquecível, por uma equipa capaz de se colocar ao serviço do texto e da sua originalidade. O Teatro como deve ser.
Um espectáculo inesquecível, por uma equipa capaz de se colocar ao serviço do texto e da sua originalidade. O Teatro como deve ser.
A dinâmica na alteração dos cenários, feita pelos próprios actores, é soberba, realçada pelo fantástico jogo de luzes e escolha musical que, com realismo, transporta o espectador ao ambiente decadente e desenfreado da intimidade das personagens.
Karōshi é uma palavra que assume aqui um duplo sentido. Ela designa uma epidemia identificada pela OMS como a morte por excesso de trabalho, mas condensa, igualmente, o momento histórico das nossas sociedades, no qual o trabalho, a produtividade e a mercantilização do tempo se tornaram o alfa e ómega da nossa relação com o mundo.
Vemo-nos ao Nascer do Dia é sobretudo um magnífico momento a duas personagens, duas actrizes às quais, muito merecidamente, terminamos rendidos.
Peter Brook tenta um malabarismo entre a sua experiência pessoal e a delimitação dos critérios mínimos para que determinado espectáculo possa ser chamado de Teatro.
Carmen Santos e Luís Lima Barreto conseguem tornar credível uma conversa com fantasmas, um conjunto de cadeiras vazias onde imaginariamente dois velhos sentam os seus convidados.
Sabujo é a prova de que o teatro não se mede aos palmos e a verdade se encontra nos lugares mais insuspeitos.
Enquanto reflexão ética sobre culpa, consciência e responsabilidade, esta é uma peça que vale a pena ser vista e discutida, porque o texto é muito interessante e a encenação adequada à sua dimensão.
Camada sobre camada sobre camada, estamos lá sempre, até ao destino final. E quando lá chegamos, constatamos o óbvio do mais óbvio: Mário Coelho e quem com ele trabalha são do melhor que está a acontecer na cidade de Lisboa. Muito obrigado.
Em The Swimming Pool Party todos os ingredientes estiveram presentes: a graça, o contraste dos vários elementos, os diálogos e a história, o mistério e a imprevisibilidade, a profundidade e a verdade dos personagens, a capacidade de improviso, a proximidade do público e o talento dos actores. Talvez fosse difícil pedir mais.