Mas o verdadeiro protagonista, para o bem e para o mal, é a Palavra. A forma como o encadeamento de ideias iconoclastas, em conjunto com uma entrega apaixonada em circunstâncias limite podem, não só mudar o rumo da história de um homem e da sociedade, como o futuro de uma cultura e a força dos seus alicerces, é o verdadeiro tema desta encenação de A Morte de Danton.
Deixar-nos surpreendidos, impressionados, desamparados, curiosos e agarrados a três horas de uma peça, num momento em que não conseguimos estar afastados mais de três minutos do telemóvel, é razão suficiente para agradecer a esta equipa de extraordinárias atrizes e atores o trabalho que fizeram.
Porque correm, então, aquelas pessoas? Porque continuam a dançar? Porque a corrida e a dança é o que resta de si e do que são umas às outras.
“O texto de uma grande dificuldade não atrapalha nenhum dos actores. Proferem-no com a naturalidade possível, repetindo referências que já não são comuns aos espectadores.”
Malfadadas é tragédia e desamparo, mas também amor, vingança, religião e loucura.
“A linguagem mistura de forma arrojada o discurso poético com o linguajar brejeiro e actual dos jovens, a um tempo elevando o espectador aos pensamentos mais profundos sobre a razão da existência e mantendo a coerência na construção das duas personagens principais…”
“Os artistas (que “estão sempre mais unidos durante a Silly Season”), e os amantes das artes podem aproveitar este Verão para unir esforços e promoverem o facto que a única forma de o nosso teatro efectivamente fazer justiça aos seus mais de sete séculos de história é perpetuar a receita de sucesso que lhe deu origem: uma base de TALENTO e INSPIRAÇÃO, com GÉNIO, ARGÚCIA, RECONHECIMENTO em boa medida, e tudo polvilhado com CAPITAL. Tal como foi feito por esta História Ilustrada do Teatro Português.”
A cumplicidade ante a adversidade, as gargalhadas partilhadas ao recuperarem cenas do jantar, despertam a esperança do espectador num futuro (presente?) em que, confrontados com as ruínas da uma ideia da civilização (…), sejamos capazes de rir da nossa triste previsibilidade e ineptidão e comecemos de novo, pelo princípio, com verdadeira “cola” que nunca falha e não tem preço: a honestidade, a empatia, a tolerância e o Amor.
“A escolha está sempre ao alcance de todos. Os monstros são, porventura, banais criaturas a quem foi dado a escolher.”
“Incompreensível apenas como esta peça não chegou a mais palcos. A Síria continua a perder os seus anjos, apesar de as notícias os terem esquecido.”