O romance de estreia de Yaa Gyasi é um projecto ficcional arrojado, que se espraia por séculos de História, suficientemente documentado para não ser uma fantasia ociosa, mas estribado num poder evocativo e de efabulação que transcendem a mera reprodução histórica.
Os Orelha Negra dispensam apresentações. Colectivo único em Portugal, juntou músicos de diferentes origens e sensibilidades, para criar um som com raízes no hiphop, mas que, com facilidade, o desintegra e supera, criando memoráveis concertos, mais parecidos com block parties do que com os espectáculos tradicionais.
…todos dançam, em franca e divertida comunhão. Diverte-se e diverte-nos e damos por bem passada aquela hora e meia da nossa vida.
São poemas crus, austeros devido à ferida do testemunho trágico, mas que, longe de serem inteiramente desoladores ou muito menos depressivos, são permeados por uma hipótese de esperança distante.
Não é uma dramatização do romance de Virgina Woolf, assume-se antes como uma transfiguração do romance numa outra coisa, que coloque em evidência as questões que dele emanam, trabalhadas pela investigação literária exaustivamente, e que aqui adquirem novos sentidos, ou, para sermos mais exatos, apelam à possibilidade de reconstrução constante de novos sentidos.
Esperamos que este seja só o início e lançamos o repto: “A Promessa” é a primeira parte de um tríptico composto por “O Bailarino” e “A Excomungada”, onde os comportamentos neuróticos só se vão exacerbando, respetivamente por parte de um bailarino homossexual e de uma candidata a freira que sexualiza a ideia de Deus. Porque não manter o ritmo e dar a conhecer ao grande público estas joias inutilizadas por essas bibliotecas fora?
Não é um espetáculo que procure a objetividade histórica que Joana, a dado momento, ridiculariza. É mesmo a memória subjetiva, despojada de especial sentido que não o da verdade de cada um…
Faltou Mariana Pineda. Faltou-lhe coragem, amor, entrega e liberdade. Mariana ficou enclausurada em Granada ou nos textos de Llorca. Ainda assim, “A Barraca” merece sempre a visita, e Lorca ser revisitado.
Já tiveram essa coragem neste frenesim de cidade, que parece desencorajar-nos de sermos quem somos, ao mesmo tempo que nos atira para a essência do que somos?
Os poemas de Celan são testemunhas de pessoas que foram brutalmente eliminadas, de lugares que já mais ninguém conhece, de tradições que já nada significam. As suas palavras moram na fronteira do indizível, no limite extremo da linguagem: uma tentativa de criação após a destruição.