“(…) foi a indiferença das pessoas que permitiu que tudo acontecesse. Não quero de forma alguma associar esta realidade a pessoas específicas (…). O facto de nos sentarmos hoje de novo em frente da televisão a assistir a esta história terrível na Síria, o modo como centenas de pessoas fogem de lá. E depois não deixamos de passar alegremente o nosso serão. Não mudamos a nossa vida por causa disso.”
Análise lúcida dos mecanismos que originam e condicionam a opressão Reflexões sobre as Causas da Liberdade e da Opressão Social é uma crítica informada das propostas teóricas, políticas e económicas que a precederam e consigo coexistiram.
Nestas Cartas e Outros Documentos 1925-1975 de Hannah Arendt e Martin Heidegger, com publicação em Portugal pela Guerra e Paz, em adaptação da tradução brasileira, supõe-se inevitável a questão sobre como foi possível a alemã de origem judaica manter contacto com o mentor e amante, mesmo após a sua entusiástica colaboração com o regime nacional-socialista.
Em O Coração das Trevas – um romance que, na sua brevidade, poderá ser tido como, porventura, um dos pontos de mais sublime concisão em toda a obra conradiana –, os mistérios da navegação fundem-se com o magno desconhecido que é Kurtz. Espécie de protagonista in absentia, centro fantasma de toda a narração.
Todo o livro vive das clássicas dores do crescimento, o universal e intemporal choque entre a realidade e as expectativas, entre os sonhos e a dureza dos dias em que nada é certo, espiritual e biograficamente.
Assim, as questões da necessidade da representação como natureza primordial do acto criativo, parecem ser o lugar de chegada ou destino de todo o edifício teórico que, neste livro-tese, Delfim Sardo nos propõe. Afinal “O que é representar?”. Parece não existir outra forma de responder a esta interrogação, sobre uma das necessidades mais viscerais da condição humana, senão pela (im)possibilidade do alcance poético…
Defesa intransigente da emancipação feminina, Uma Vindicação dos Direitos da Mulher é um longo libelo contra um estado de coisas que a mera inércia, a passagem demasiado sossegada do tempo e o medo fizeram prevalecer. Que a sua acção faça ainda sentido, eis não apenas uma nota de intemporalidade de um clássico, mas a pertinência histórica de um legado ainda por cumprir integralmente: a condição feminina.
A sua arte passa por tentar intersectar activamente ética com a estética na poesia moderna. Para Celan não pode haver poesia pura, nem poesia incondicional, e apesar de não colocar restrições à sua liberdade lírica, nunca considera que a poesia deva ser autónoma de todas as grandes questões humanas.
As canções de Drifter conseguem ser verdadeiras epopeias sonoras, facto evidenciado quando a banda nos presenteou com as “Tierra Del Fuego: La Mar” e “Tierra Del Fuego: Nisshin Maru”.
Dois Irmãos é uma exploração notável de um conflito pessoal, familiar, que a escrita de Hatoum torna universal e humana, mais do que individual. Centrado no universo de uma família marcada pelo desequilíbrio e o excesso, o romance ergue-se diante de um panorama complexo de amores desorbitados, avassaladores, deslocados.