Um dos pontos mais relevantes das cartas será o cariz comunitário desta correspondência entre artistas que pretendem estreitar os laços intelectuais e emocionais que os unem, numa troca de palavras, promessas de pôr Laurens em contacto com outros artistas e de divulgar o seu trabalho em Portugal, pedidos de divulgação e tradução dos seus poemas para o holandês, artigos de jornal (…), discos de Satie, impressões sobre gatos, um poema de Cesariny sobre o fim do colonialismo português, gravuras de Cruzeiro Seixas, pinturas, revistas e outros artefactos culturais, criando um cadáver-esquisito transnacional (…)
O ponto focal do livro é a viagem. A viagem como deslocação, como processo de sairmos de onde estamos, independentemente do destino, mas também como movimentação do Eu para fora de si, mesmo que depois retorne não sendo quem foi, porque a viagem todos muda.
Políticas da Inimizade, quer se concorde com as ideias do autor ou não, é um potente instrumento de agitação mental, porquanto tem a inegável vantagem de ser uma visão sobre as democracias liberais que não tem nelas a sua origem, bem como as coloca sob um jugo histórico que muitas vezes ou se olvida, ou não se quer ter presente.
Fechamos os olhos. Ouvimos a música. Sonhamos. Podemos tudo. Abrimos os olhos.
E no meio da nossa impotência, ficou a centelha de termos podido tudo, enquanto a Banda passou.
O género é assim entendido como uma simulação, que, ao ser encenada todos os dias em espaços domésticos e públicos por homens e mulheres, torna-se numa norma hegemónica que domina todos os aspetos da vida diária…
O eixo comum deste conjunto é o que o próprio título indica: homens que não têm mulheres, solteiros, divorciados, viúvos, e que assim se fazem solitários.
O primeiro volume desta trilogia de Javier Marías revela um conhecimento profundo sobre a natureza humana, traduz um autor atento, observador, estudioso, um catedrático no Homem e nas suas imperfeições, lança as fundações do que promete vir a ser um envolvimento num verdadeiro romance de espionagem
Ao longo do relato feito no livro, descobrimos o objectivo da operação, todos os seus detalhes e o porquê de a verdade ter sido escondida, permitindo-nos imaginar como seriam e como funcionariam os serviços secretos britânicos na altura da Guerra Fria.
Diremos que Lampedusa tem o dom de, sem excessos de linguagem e sem prolixismo, escrever pessoas, lugares com gente dentro.
Mas para nós, os seus leitores, os escritores nunca morrem e este livro, que os revela na sua intimidade partilhada, está aqui para provar isso mesmo.