Sabujo – Sala de Bolso, 23/10/2019
Sabujo é a prova de que o teatro não se mede aos palmos e a verdade se encontra nos lugares mais insuspeitos.
Sabujo é a prova de que o teatro não se mede aos palmos e a verdade se encontra nos lugares mais insuspeitos.
Enquanto reflexão ética sobre culpa, consciência e responsabilidade, esta é uma peça que vale a pena ser vista e discutida, porque o texto é muito interessante e a encenação adequada à sua dimensão.
Camada sobre camada sobre camada, estamos lá sempre, até ao destino final. E quando lá chegamos, constatamos o óbvio do mais óbvio: Mário Coelho e quem com ele trabalha são do melhor que está a acontecer na cidade de Lisboa. Muito obrigado.
Em The Swimming Pool Party todos os ingredientes estiveram presentes: a graça, o contraste dos vários elementos, os diálogos e a história, o mistério e a imprevisibilidade, a profundidade e a verdade dos personagens, a capacidade de improviso, a proximidade do público e o talento dos actores. Talvez fosse difícil pedir mais.
Mas o verdadeiro protagonista, para o bem e para o mal, é a Palavra. A forma como o encadeamento de ideias iconoclastas, em conjunto com uma entrega apaixonada em circunstâncias limite podem, não só mudar o rumo da história de um homem e da sociedade, como o futuro de uma cultura e a força dos seus alicerces, é o verdadeiro tema desta encenação de A Morte de Danton.
Deixar-nos surpreendidos, impressionados, desamparados, curiosos e agarrados a três horas de uma peça, num momento em que não conseguimos estar afastados mais de três minutos do telemóvel, é razão suficiente para agradecer a esta equipa de extraordinárias atrizes e atores o trabalho que fizeram.
Porque correm, então, aquelas pessoas? Porque continuam a dançar? Porque a corrida e a dança é o que resta de si e do que são umas às outras.
“O texto de uma grande dificuldade não atrapalha nenhum dos actores. Proferem-no com a naturalidade possível, repetindo referências que já não são comuns aos espectadores.”
Malfadadas é tragédia e desamparo, mas também amor, vingança, religião e loucura.
“A linguagem mistura de forma arrojada o discurso poético com o linguajar brejeiro e actual dos jovens, a um tempo elevando o espectador aos pensamentos mais profundos sobre a razão da existência e mantendo a coerência na construção das duas personagens principais…”