MDLSX não é um funeral mas antes um adeus ao género, às categorias e aos binarismos, em forma de hino elegíaco mas também de celebração de uma forma de fazer género(s), ao mesmo tempo que convoca para o palco outros textos para além da escrita do corpo.
A moral desta história, se é que é válido extraí-la, é a queda paradoxal da ideia separatista, e a necessidade de cooperação e do amor (de qualquer tipo), irmandade e/ou humanismo para potenciar evolução, sem fronteiras ou nacionalidades…
Nora: A Doll´s House, adaptação da Casa de Bonecas de Ibsen pela vencedora do prémio Olivier, Stef Smith, estreou em março do ano passado em Glasgow no Citizens Theatre, na sua temporada dedicada a peças cuja dramaturgia é escrita por mulheres. É no Young Vic, em Londres, que a peça volta a ganhar vida até …
Talvez ser-se único seja isso mesmo: ser apenas um número.
O texto é certeiro. Retrata esta meia dúzia de vidas de um modo sagaz e humano, deixando margem aos actores para conduzirem as personagens e ao público para se integrar e inteirar do que vê, sem manipulações ou maniqueísmos, o que não significa que seja neutral ou ambíguo.
“…este Alma retrata o direito a ser diferente, ser aceite e sobretudo a ser amado. Incondicionalmente. A ver o abismo e ser salvo, já no fio da navalha, no limite, bem como a verdade do teatro.”
A peça acaba e ficamos a meio caminho: sem o exercício lento da imaginação que a literatura proporciona (…), nem um exercício de criação teatral completo, onde somos confrontados com imagens imprevisíveis em torno objetos improváveis.
Luís Moreira identificou-se, de forma complementar, com a ideia de que o excesso de intelectualidade poderá constituir entrave no veicular de palavras e sentimentos…
É um prazer ouvir a tradução de Fernando Villas-Boas. Não é Shakespeare intrincado, desfasado, é Shakespeare para todos, algo em que os actores também são exímios na sua prestação.
O Teatro Aberto recebeu na sua Sala Azul a peça Doença da Juventude, de Ferdinand Brukner, na versão de Marta Dias, igualmente responsável pela dramaturgia e encenação. A peça abre com umas imagens da vida selvagem, uma corsa a ser comida por uma matilha de hienas, que nos pareceu chocante e sem grande propósito, mesmo …