Será decerto único e intransmissível o que é que cada um descobre quando chega ao fim deste livro. Mas constatação consensual será a de que a esperança de poder um dia aliviar o fardo de carregar a existência tem uma cor: o branco.
Como as suas duas obras anteriores, este livro de Paolo Cognetti fala-nos do “maldito apelo da montanha”, de uma espécie de chamamento mágico que contraria até o mais básico dos instintos: a sobrevivência.
Olga é um olhar sobre a experiência universal da guerra, de quem espera e de quem morre, assim como o retrato de uma mulher como espelho da condição feminina, das expectativas com que a sociedade a sobrecarrega, assim como as suas pequenas transgressões e atos de resistência.
A autora parece brincar com o tempo, e também com o papel convencionado para um narrador: mais do que apresentar-nos a narrativa na 1ª pessoa, ela vai-se desvelando de dentro do próprio pensamento de um par de personagens fascinantes.
“A Vida Sonhada das Boas Esposas” não é, de modo algum, um livro simples. Antes se mostra extraordinariamente profundo na mensagem que pretende transmitir e que encontra eco, se não no todo pelo menos em parte, no viver e no sentir de cada um de nós.
Num plano mais profundo, a prosa de Ana Teresa Pereira recorda-nos o poder paralisante do condicionamento a que a mulher está sujeita praticamente desde a primeira inspiração.
Cai a Noite em Caracas é um romance sobre árvores: a genealógica, que nos prende, em vida e na morte à nossa família, a de sangue ou a escolhida; a árvore cujas raízes nos prendem ao país onde nascemos e que por vezes exigem ser cortadas; a ameixeira de carocinho que cresce no quinta da …
A escrita de John le Carré não mudou, é fluída e competente. Se algo aconteceu ao longo dos anos é que, aos 88 anos, se sente mais livre para soltar a mordacidade e exprimir de forma clara as suas posições políticas, tornando a sua escrita mais divertida.
Um “estorvo” altamente bem conseguido que nos perturba, mas que nos deixa com vontade de iniciar ou simplesmente não cessar a viagem.
“Não teorizar é também teorizar. O Manifesto Contra-Sexual de Preciado, ancorado em textos canónicos de nomes facilmente reconhecíveis, é um texto radical e agradavelmente (im)perfeito, que pretende “evitar o fechamento do discurso académico, embora continuando a utilizar algumas das suas ferramentas críticas para compreender o que fora excluído dele…”