A aventura, em si uma odisseia no tempo e no espaço, termina com a promessa de uma viagem à Guiné-Bissau, país “onde toda a gente tem o cabelo igual ao de Orlando”, mote para o segundo volume desta colecção.
Mais uma boa sugestão e ainda a tempo de fazer parte de um sapatinho neste Natal.
Sendo uma parábola ao conformismo e à resignação, a leitura de A Revolução e a reflexão sobre a sua mensagem mantém-se e, ousamos prever, manter-se-á actual pelos anos vindouros. As belíssimas ilustrações de Tiago Galo, acrescentam-lhe valor e transformam o livro-objecto-físico numa fina peça de arte.
Fechamos os olhos. Ouvimos a música. Sonhamos. Podemos tudo. Abrimos os olhos.
E no meio da nossa impotência, ficou a centelha de termos podido tudo, enquanto a Banda passou.
O primeiro volume desta trilogia de Javier Marías revela um conhecimento profundo sobre a natureza humana, traduz um autor atento, observador, estudioso, um catedrático no Homem e nas suas imperfeições, lança as fundações do que promete vir a ser um envolvimento num verdadeiro romance de espionagem
Se o estilo de vida tão pouco tradicional fará de Else uma mãe diferente das outras, já a inércia perante o avanço da história na Alemanha será comum a todos os judeus do círculo em que se movia.
Ao ler o livro de Leïla Slimani, lembramo-nos do brutal Shame de Steve McQueen, com a diferença de o livro nos apresentar o vício sexual de uma mulher, algo raramente visto, e tentado, a nosso ver, de forma falhada no gratuito Ninfomaníaca de Lars von Trier.
Irmão de Gelo é um livro verdadeiramente especial na sua singularidade, de um lirismo pragmático e lúcido, destinado àqueles que, como a autora, têm na leitura a sua actividade subversiva preferida.
A marroquina Leïla Slimani criou uma obra ambiciosa e impactante, bem para além da derradeira página, não só pela crueza dos factos, mas pela ténue culpa que desperta em nós, testemunhas silenciosas e cúmplices de uma estrutura societária e familiar anquilosada em colapso iminente, que em Canção Doce, cede pelo lado mais fraco, com efeitos devastadores.
Há um denominador comum nestes contos – a sobrevivência: a traumas de guerra, a traumas de infância, a acidentes, à pobreza extrema, à vergonha, a preconceitos.
Apesar de se tratar de uma obra extensa, as suas centenas de páginas não nos desmotivaram e, se não nos tornaram entusiastas de policiais, tiveram a virtualidade de nos aguçar a curiosidade, dando-nos, quiçá, uma oportunidade para maior conhecimento deste autor e deste género literário.