Canção Doce – Leïla Slimani (Alfaguara, 2017)

A marroquina Leïla Slimani criou uma obra ambiciosa e impactante, bem para além da derradeira página, não só pela crueza dos factos, mas pela ténue culpa que desperta em nós, testemunhas silenciosas e cúmplices de uma estrutura societária e familiar anquilosada em colapso iminente, que em Canção Doce, cede pelo lado mais fraco, com efeitos devastadores.

As Nossas Almas Na Noite – Kent Haruf (Alfaguara, 2017)

A perspetiva de narração heterodiegética e a ausência de floreados literários torna a obra acessível (e dirigida) ao grande público. Mais para o final do livro, e com o autor perto da morte, surge a intertextualidade autorreferencial como que a fechar a Obra de uma vida. Será sobretudo este aspeto que explicará o sucesso deste seu último livro nos Estados Unidos.

A Forma das Ruínas – Juan Gabriel Vázquez (Alfaguara, 2017)

” Este romance longo e poderoso, é uma demonstração plena da capacidade da ficção de explorar as obsessões históricas de um país. Ao longo deste romance, sem termos uma resolução final para o enredo, nem uma explicação cabal sobre a verdade ou falsidade das teorias de conspiração apresentadas, verificamos como a precaridade da vida familiar se constrói sobre crimes históricos passados, que se perpetuam pelo presente e pelas gerações futuras.”

O Meu Nome Era Eileen – Ottessa Moshfegh (Alfaguara, 2017)

Deste romance de estreia de Ottessa Moshfegh se poderia dizer que tem tudo para falhar. Tem tudo, mas não há nada nele que confirme esse vaticínio de catástrofe. Porque se salva da asfixia causada por uma primeira pessoa sufocante, um enredo concentracionário encurralado pela mágoa, castigado pelo ressentimento, consumido por uma raiva que poderia escaqueirar …