Num tom mais ou menos óbvio, mas indiscutivelmente bem humorado e carregado de ironia, as personagens expõem o esquema de poupança, invariavelmente seguido nas soluções ecológicas, sustentáveis e de economia circular,
Um Dom João Português não responde, a nosso ver, de forma eficaz aos questionamentos que o nome da peça promete, ao não tornar, de forma convincente, o texto-base num veículo de uma mensagem que ultrapasse as necessárias diferenças contextuais entre época de origem e época da encenação; constitui, isso sim, e não é necessariamente pouco face à crise que vivem tantas companhias de teatro, um laboratório pujante sobre as possibilidades do trabalho dramatúrgico.
Não é uma dramatização do romance de Virgina Woolf, assume-se antes como uma transfiguração do romance numa outra coisa, que coloque em evidência as questões que dele emanam, trabalhadas pela investigação literária exaustivamente, e que aqui adquirem novos sentidos, ou, para sermos mais exatos, apelam à possibilidade de reconstrução constante de novos sentidos.
Esperamos que este seja só o início e lançamos o repto: “A Promessa” é a primeira parte de um tríptico composto por “O Bailarino” e “A Excomungada”, onde os comportamentos neuróticos só se vão exacerbando, respetivamente por parte de um bailarino homossexual e de uma candidata a freira que sexualiza a ideia de Deus. Porque não manter o ritmo e dar a conhecer ao grande público estas joias inutilizadas por essas bibliotecas fora?
Não é um espetáculo que procure a objetividade histórica que Joana, a dado momento, ridiculariza. É mesmo a memória subjetiva, despojada de especial sentido que não o da verdade de cada um…
Faltou Mariana Pineda. Faltou-lhe coragem, amor, entrega e liberdade. Mariana ficou enclausurada em Granada ou nos textos de Llorca. Ainda assim, “A Barraca” merece sempre a visita, e Lorca ser revisitado.
Já tiveram essa coragem neste frenesim de cidade, que parece desencorajar-nos de sermos quem somos, ao mesmo tempo que nos atira para a essência do que somos?
A encenação de Kuniaki Ida deste clássico da modernidade segue os ditames disseminados pela obra dramática e teórica de Bertolt Brecht. Em vez de projectar uma ideia de verosimilhança «naturalista», que criasse aquilo que a tradição poderia chamar «ilusão cómica», as opções do encenador vão no sentido de um certo esquematismo. Deliberadamente, este posicionamento deixa …
Uma felicidade imensa, porém efémera, espera o casal, pois a tragédia abate-se sem trégua sobre o duo, afogando qualquer esperança de dias luminosos.
A sala Mário Viegas, do Teatro São Luiz, recebeu a “Arte da Fome” e deixou-nos o entusiasmo amputado, mas fica o agradecimento pela escolha do texto. Saímos, talvez não todos, com vontade de o ler, ou reler, e descobrir, em silêncio, angústias que são dos artistas e de todos nós. Faltou o resto.