Bella Figura parte de dois eventos que se cruzam: o jantar romântico de Boris e Andrea, e o de aniversário de Yvonne, acompanhada pelo filho, Eric, e a esposa, Françoise. A interseção das duas situações dá-se, já profetizando o que aí vem, através de um atropelamento.
Apesar dos pesares, respeitando a tradição, resta-nos desejar “muita merda”, que é como quem diz: “muito boa sorte” ao Teatro Praga. Não deixem de ir ver. Se a indiferença não vos agarra os pés e a cabeça, então o teatro, mal ou bem, aconteceu e, neste caso, se bem entendemos, se for mal, ainda bem.
A dica que a misteriosa Conceição (…)dá à personagem homónima de Beatriz Batarda, parece ser a chave para desvendar o sentido último de Teatro: “o que é que passa entre os seres o que é que os prende uns aos outros ela disse-me a Beatriz vai perceber”.
Por isso esperamos que esta trilogia continue. Para guardar em pedaços de tempo mais juventudes que nos pertencem. Para nos lembrar de onde viemos, que lutas fizemos e que sociedade queremos. Ou, pelo menos, para nos lembrar se ainda queremos mudanças.
“Se começamos a narrativa na plateia, no lugar do público, é porque queremos estar tão próximos quanto a arquitectura permite. Das mulheres e dos homens nossos contemporâneos com quem partilhamos ficções – as feições dos dias.”
O tempo é substituído pela ordenação em pastas, o espectador observa-se na interação diária com o mundo digital, olha o seu reflexo e pergunta-se: Quanto de nós é já objeto?
No mundo futurista e distópico de A Chegada de Um Comboio à Cidade a acção passa-se numa sociedade de “multitasking” e de produção de massa, onde as personagens tentam fazer uma transposição para um mundo alternativo e mais genuíno, longe do mundo repleto de imagens e de sons que os acaba por nos paralisar.
Em Lulu, Wedekind coloca em cena as tensões e contradições provocadas pelo choque entre a pulsão libidinal do desejo e a falsa moralidade burguesa.
Os vários quadros que compõem este A meio da noite registam o processo de construção do espetáculo. O que retira cada ator da visualização de um filme de Bergman?
Entre gargalhadas fortuitas, espanto, riso e tédio, quedamo-nos algures entre a angústia dos minutos intermináveis e a busca vã de algo que redima o espetáculo e, já agora, nos resgate.