Alice no País das Maravilhas – TNDMII, 4/1/2019
Preparem-se para uma aventura dentro das fronteiras da imaginação da Alice e das vossas.
Preparem-se para uma aventura dentro das fronteiras da imaginação da Alice e das vossas.
João Lourenço, em declarações ao Jornal Público, lembrou os «casais que se irão enfiar no carro, no metropolitano, ou seguirão a pé à saída do teatro, fazendo o seu caminho muito calados».
Crítica da peça Retrato de uma Mulher árabe que olha o Mar, encenada pela Artistas Unidos e apresentada no Teatro da Politécnica a 5 de Dezembro de 2018.
O espetáculo termina com quase tudo por dizer e sentir sobre a pintora, que parece ter desaparecido depois dos primeiros minutos de espetáculo. E é pena.
A proposta de infinito, a elite de uma espécie de deuses em carne débil e fraca, esbate-se perante um apelo maior: o amor de uma mãe pelo seu filho, o amor de um homem por uma mulher, a família, a vontade incontornável de o Homem ser emoção e linguagem, perigoso construtor de utopias que, a realizarem-se, serão comprovadamente o seu maior infortúnio.
Poderia bastar a mágica interpretação de António Capelo e Paulo Calatré, respectivamente nos papéis de Sancho Pança e D. Quixote, para recomendarmos este espetáculo.
Se em dias de chuva, decidirem trocar o sofá por uma comédia fora, mas dentro de portas, espera-vos um humor inteligente que apostou na expressão corporal, em dinâmicas de improvisação que se traduziram, no palco, em ritmo, um ritmo feito, sobretudo, de boas interpretações, enérgicas, explorando a identidade e o potencial de cada um dos atores.
Sobre o excelente trabalho de Simão do Vale Africano e da sua equipa (técnica e de atores) nesta «Trattoria Pirandello», deixámos aqui expressas algumas ideias, mas o que temos em mente é, mais do que tudo, acicatar o público a ir ao teatro assistir a este espetáculo e a fazer a sua avaliação do «menu» servido. Acreditamos que não volverá a casa com fome.
A forma transparente como os atores interpretaram o texto deixou no público a compreensão plena da humanidade das personagens, dos seus erros e virtudes e do dilema moral subjaz ao enredo. E isso, parecendo pouco, transforma esta produção dos Artistas Unidos, com encenação de Jorge Silva Melo, num espectáculo emocionante.
Do São Luíz, para além de um bom espectáculo de teatro, trazemos a vontade de revisitar as palavras de mel de Mia Couto.