“À medida que se desloca, GMT mede diversas variáveis do seu contexto físico e emocional, colocando hipóteses e questões na sua já habitual deriva de precisão e absurdo, intercalados conforme as conveniências do momento e servidos por uma escrita sem mácula.”
“Nestes tempos de incerteza e obscuridade, que tentamos por todos os meios ao dispor superar e fazer nossos, encontrar arte desta dimensão é reconfortante, mesmo que a própria leitura e partilha de ideias possam parecer exercícios fúteis, infrutíferos e até dolorosos.”
“O cheiro forte das docas de Nova Iorque entra-nos pelas narinas dentro, e as vidas que compõem o texto continuam, vagamente erráticas, em constante “fuga para a frente”. No (sub)mundo de Jennifer Egan, são pessoas que falham, cometem erros, voltam a tentar.”
“A “forma de sentir” desencadeada foi abaixo da média, bem próxima da inércia tão contrária ao espírito de toda a obra do Gonçalo M. Tavares.”
“Pedro Vieira (n. 1975) publicou no passado mês de Fevereiro o seu terceiro romance Maré Alta (Companhia das Letras), uma obra de fôlego, que procura retratar o Portugal do século passado por via das suas personagens anónimas, os “figurantes” que ficam de fora dos livros de História, mas que traz consistentemente para a ribalta na sua escrita.”
“Um belíssimo livro, de escrita leve e intimista, despojada e paradoxalmente rica e plena de vida, como as montanhas de que fala.”
“Esta trilogia de Javier Marías torna-o, a nosso ver, natural candidato ao Nobel da literatura, pela espessura da obra, pela análise dramática com que permeia qualquer gesto, a todo o momento, de cada uma das personagens e, uma vez mais, pela notável elaboração de uma extensa narrativa…”
«Neste exercício de prosa delicada e detalhe minucioso sobre a natureza humana e os seus desvios – e tudo o que desconhecemos dos que nos são próximos – percebemos que apenas fica a descoberto “a verdade [que] se apresenta de várias formas (…) a verdade (…) que convém” (184).»
“Olhar o sofrimento dos outros e observar calamidades a acontecer longe de nós pode bem ser a experiência moderna por excelência, escreveu Sontag, e em A Little Life, é o sofrimento de Jude que nos força a trocar qualquer réstia de pena por possíveis vítimas da natureza cruel humana e transformá-la em empatia e regeneração.”
Para além de olhar apenas para o binarismo homem/mulher cis (…), Despentes parte sempre da experiência pessoal para abordar questões diretamente relacionadas com as mulheres, como a violação, a prostituição ou a pornografia, todas elas com direito a um capítulo individual do livro, correndo assim o risco de tornar este manifesto, potencialmente inclusivo de várias vivências do feminino (…), numa história única.