“O México continua a surgir com um deus adormecido pelos interesses da corrupção e do capitalismo. Talvez, um dia, Quetzalcoátl, a serpente emplumada, venha reclamar o que é seu.”
“George Orwell aparece-nos como uma personalidade complexa, dividido entre os preconceitos de classe em que se formou e o desejo de superar essas limitações; tenso entre o snobismo a que nem faltava o sotaque posh e a ansiedade de conhecer e integrar um mundo que lhe estava vedado: o das classes desfavorecidas.”
“Escrevendo de forma aparentemente simples, Sayaka Murata pinta-nos um quadro vivo sobre a inadaptação na contemporaneidade e as diversas imposições sociais que constrangem cada cidadão.”
“Não é para os amantes de acção constante, mas mais para quem tem tempo para apreciar os ambientes políticos, as sensibilidades subtis que se vão desenhando, e a riqueza da personagem principal.”
É então necessário ler Confissões com ressalvas e como o produto de um tempo e contexto literário, partindo depois para representações mais honestas, menos problemáticas e mais feministas do que é ser travesti ou de se retirar prazer de, por momentos e de forma artificial, vestir a pele do nosso outro sexual.
“A mulher que corre atrás do vento é uma ode ao feminino, um trilho sagaz sobre as diversidades da mulher, um relato sóbrio, sensível, perspicaz e revelador do que une os sexos e, inevitavelmente, do que os separa.”
“Mesmo perante o desconcerto do Mundo, a lucidez com que avalia situações e pessoas e projecta esses juízos como presságios, criando uma ligação invisível que o supera e nos envolve, é a grande mais-valia deste A Trégua.”
“Se ser anónimo nas redes sociais era a maior liberdade que qualquer utilizador poderia ter – e, para além disso, uma condição que se tinha tornado quase impossível de obter -, qual a sensação de ser anónimo na vida de outra pessoa?”
O Discurso sobre as Ciências e as Artes cria uma defesa aparentemente involuntária do saber e da criatividade. Ao censurar a ganância, a vaidade e o orgulho causados pela ciência e pela arte, Jean-Jacques Rousseau assinou uma das defesas mais subtis e impressivas da importância do que se propôs censurar.
Longe da pungência de Just Kids, Devoção é um livro belo e apaixonado, como quase tudo o que a “musa” vai ditando a esta incansável exploradora.