Ao ler o livro de Leïla Slimani, lembramo-nos do brutal Shame de Steve McQueen, com a diferença de o livro nos apresentar o vício sexual de uma mulher, algo raramente visto, e tentado, a nosso ver, de forma falhada no gratuito Ninfomaníaca de Lars von Trier.
Ao longo de “O Censor Iluminado” somos guiados a ler, com a devida contextualização, textos até agora adormecidos em arquivos, e que Tavares organiza de forma a esclarecer os critérios utilizados por esta exclusiva equipa censória para a aprovação ou reprovação de uma obra para o mercado português.
Com este O Escuro Que Te Ilumina, José Riço Direitinho põe de lado a crítica literária, em que se destacou pela excelência, para se atirar à utopia de mudar este paradigma pela sua pena, tentativa que, apesar de louvável, se fica pelas intenções.
Irmão de Gelo é um livro verdadeiramente especial na sua singularidade, de um lirismo pragmático e lúcido, destinado àqueles que, como a autora, têm na leitura a sua actividade subversiva preferida.
Há um denominador comum nestes contos – a sobrevivência: a traumas de guerra, a traumas de infância, a acidentes, à pobreza extrema, à vergonha, a preconceitos.
Apesar de se tratar de uma obra extensa, as suas centenas de páginas não nos desmotivaram e, se não nos tornaram entusiastas de policiais, tiveram a virtualidade de nos aguçar a curiosidade, dando-nos, quiçá, uma oportunidade para maior conhecimento deste autor e deste género literário.
«Toda a literatura é abstracta, concretas são as pedras. Não aceitar isto é aceitar a literatura como copiadora do concreto, como uma segunda mesa, ou uma segunda casa. (…) A literatura tem objectos próprios, completamente distintos dos que existem na vida dos vivos. Não confundas um escritor com um arrumador de mobílias.»
porque insistimos (ainda) na fotografia como coisa de adultos, demitindo-a da literatura infantil e amputando as crianças na tenra idade de uma educação crítica para as imagens?
Por aqui encontramos um romance fluido e inteligente que, em meras 141 páginas, abarca cerca de quatro décadas (…) da vida de uma família italiana tradicional (…).Mas mais do que isso, Starnone resiste à tentação de fazer um romance longo, para concentrar a atenção do leitor em eventos e emoções definidores, num trabalho minucioso de contenção e, certamente, de edição por parte do autor.
No mundo futurista e distópico de A Chegada de Um Comboio à Cidade a acção passa-se numa sociedade de “multitasking” e de produção de massa, onde as personagens tentam fazer uma transposição para um mundo alternativo e mais genuíno, longe do mundo repleto de imagens e de sons que os acaba por nos paralisar.