Por isso esperamos que esta trilogia continue. Para guardar em pedaços de tempo mais juventudes que nos pertencem. Para nos lembrar de onde viemos, que lutas fizemos e que sociedade queremos. Ou, pelo menos, para nos lembrar se ainda queremos mudanças.
Os mais de 30 anos do País Basco sob o terrorismo não são apenas panorama, mas o livro está longe de ser panfletário. A política existe, é tratada, deixa marcas, mas Aramburu evitou a caricatura ou a ficção professoral. É que a narrativa foi beber à vida do autor, às suas experiências, a reais tensões sociais, políticas e pessoais que marcaram gerações.
A certa altura, estamos olhos nos olhos com a cantora, enquanto esta rasteja palco fora, com a guitarra feita presa moribunda, ainda a respirar distorção. “Don’t you stop me”, canta ela; e ninguém o tentaria.
“Os três amigos são cada um de uma aldeia diferente, e existe entre eles aquilo a que hoje se chama de poliamor. Ossi é um pescador (“um arpoador”), Aurora é da aldeia, e Ira é ribeirinho. Num contexto de vidas duras, todos têm passados calejados…”
“Se começamos a narrativa na plateia, no lugar do público, é porque queremos estar tão próximos quanto a arquitectura permite. Das mulheres e dos homens nossos contemporâneos com quem partilhamos ficções – as feições dos dias.”
Neste oásis atlântico de esquerda de 2018, a polémica soa extemporânea e a resposta à pergunta que Ribas fazia tem travo amargo: Serralves tem, neste momento, um museu cheio. Mas com quê?
Mas continua nessa fatalidade do quotidiano em busca daquele raio de luz que consiga rompê-lo, criar beleza a partir dele.
São 173 páginas onde sobressai a ideia de fatalidade do que é básico.
[Joana Espadinha] Deu o protagonismo à sua voz e juntou-lhe o acompanhamento que ela sempre pediu: o Pop. “Tu tens de ser sincero”, aconselha-nos repetidamente no refrão, talvez porque agora essa sinceridade transparece em cada nota e em cada sorriso partilhado.
Se o estilo de vida tão pouco tradicional fará de Else uma mãe diferente das outras, já a inércia perante o avanço da história na Alemanha será comum a todos os judeus do círculo em que se movia.
Apesar das possíveis comparações, Feist destaca-se das demais (e muitas) cantoras folk e indie que agora dominam a cena musical, pela voz límpida de timbre particular e distinto, pela destreza como guitarrista e ainda pela energia em palco e a relação que estabelece com o público, contagiado pela alegria que a cantora parece sentir enquanto canta.