Manifesto contra os que têm pressa em erradicar a tristeza, Aprender a Falar com as Plantas tem uma espécie de lema subjacente: “As espécies que se adaptam às mudanças, são as que sobrevivem”.
Como as suas duas obras anteriores, este livro de Paolo Cognetti fala-nos do “maldito apelo da montanha”, de uma espécie de chamamento mágico que contraria até o mais básico dos instintos: a sobrevivência.
Num plano mais profundo, a prosa de Ana Teresa Pereira recorda-nos o poder paralisante do condicionamento a que a mulher está sujeita praticamente desde a primeira inspiração.
Limbo é um espectáculo frágil, com uma forma muito aberta e flexível. Os performers já estão a deambular no espaço quando o público entra na sala, como se nunca tivessem saído daquele lugar sombrio.
Um trabalho de grande valia que, com parcos meios e detalhes de bom gosto, como a música original tocada ao vivo por Paulo Pires, consegue a proeza de desenhar os contornos essenciais de uma realidade ampla sem o paternalismo e o peso habitual do teatro mais político, optando pelo humor e a ironia para convidar o público a pensar o seu mundo.
Em palco na Sala Azul do Teatro Aberto, até ao próximo dia 1 de Março, encontramos o clássico de Hermann Broch A Criada Zerlina, protagonizada por Luísa Cruz, numa interpretação que lhe valeu os aplausos da crítica e um Globo de Ouro. A narrativa começa na total escuridão e decorre sempre na penumbra, onde Luísa …
Destaque para o belíssimo cenário e ambiência da sala estúdio, recriação do jardim, elementos naturais, bem como os figurinos, o texto na sua excelente tradução, os efeitos sonoros e a encenação de Bruno Bravo, que une todos estes factores…
Romeu e Julieta pertencem a um imaginário demasiado romantizado, aqui hábil e inteligentemente desmantelado. Sobram espaços vazios para o espectador preencher.
MDLSX não é um funeral mas antes um adeus ao género, às categorias e aos binarismos, em forma de hino elegíaco mas também de celebração de uma forma de fazer género(s), ao mesmo tempo que convoca para o palco outros textos para além da escrita do corpo.
Estes quatro não sabem errar, e as suas músicas sem refrões assobiáveis ou coros marcantes vêm carregadas de melancolia, mas também libertação, aquela esperança vã de que falar dos elefantes na sala de tantos possa ser o segredo para a felicidade.