O Rapaz Selvagem – Paolo Cognetti (D. Quixote – 2018)
“Um belíssimo livro, de escrita leve e intimista, despojada e paradoxalmente rica e plena de vida, como as montanhas de que fala.”
“Um belíssimo livro, de escrita leve e intimista, despojada e paradoxalmente rica e plena de vida, como as montanhas de que fala.”
Apesar de ter todos os ingredientes para uma mistura de emoções baratas e manipulação básica dos sentimentos do leitor, este livro de David Machado, reeditado recentemente, escapa nos interstícios dessa malha em que tantos se deixam enredar…
Mais do que um romance, o Samurai apareceu-nos como uma verdadeira lição de leitura. Às vezes, antes de ler, é preciso aquietar. Encontrar o nosso espaço de silêncio e fazer do livro a nossa oração.
O fim do fim da terra (D. Quixote, 2018) é um conjunto de ensaios escritos maioritariamente nos últimos cinco anos por Jonathan Franzen…
Os mais de 30 anos do País Basco sob o terrorismo não são apenas panorama, mas o livro está longe de ser panfletário. A política existe, é tratada, deixa marcas, mas Aramburu evitou a caricatura ou a ficção professoral. É que a narrativa foi beber à vida do autor, às suas experiências, a reais tensões sociais, políticas e pessoais que marcaram gerações.
Ao longo do relato feito no livro, descobrimos o objectivo da operação, todos os seus detalhes e o porquê de a verdade ter sido escondida, permitindo-nos imaginar como seriam e como funcionariam os serviços secretos britânicos na altura da Guerra Fria.
Diremos que Lampedusa tem o dom de, sem excessos de linguagem e sem prolixismo, escrever pessoas, lugares com gente dentro.
“A história tem destas coisas. Se Donald Trump não tivesse chegado à Casa Branca, este livro manter-se-ia esquecido até que alguém minimamente parecido lá chegasse.”
Este livro leva-nos à mais profunda reflexão sobre a discriminação de sexos. Não se deixem iludir pelo seu tamanho (94 páginas), pois é poderoso e pode ser (mais) um veículo para, um dia, daqui a duas gerações(?), chegarmos à igualdade.
Recomendo vivamente a feministas e não feministas, nem que seja pela reflexão a que nos obriga.
Leiam, mostrem aos vossos filhos e amigos, falem dele nas Escolas e vamos pensar juntos um mundo melhor.
Fascinante e despretensioso, no fundo nada mais é do que um excelente pretexto para discorrer sobre um tema fascinante e central da nossa cultura ocidental, com a clareza a que Miguel já nos habituou, a que associa uma capacidade inata de centrar a reflexão no essencial, sem derivas ou artifícios.