O meu nome é Bunda, Jaime Bunda! Este James Bond angolano, fã incondicional dos filmes e livros policiais americanos, é o herói deste Jaime Bunda e a morte do americano que, com imensa graça, nos envolve na investigação das circunstâncias da morte violenta de um cidadão americano residente em Benguela, que ganha proporções políticas preocupantes. …
Conduzidos pela crueza da narrativa, somos confrontados com a invasão de uma implausível ternura para com os indigentes que nós mesmos atiramos para a marginalidade. Uma leitura absolutamente essencial.
Este texto deveria fazer um ponto prévio. Não para seguir o modelo de Apresentação do Rosto, com «Os Prólogos», mas para tentar que fosse mais claro o que se tentará a seguir. Não faltará quem questione, lamente, ou pior, que se volte a publicar um livro que não foi reeditado em vida do seu autor. …
Arne Dahl consegue um equilíbrio muito interessante de qualidade literária, um contraste forte entre paisagens límpidas e personagens calcinados, situações cativantes e um bom ritmo, tortuosamente verosímil.
A autora questiona (e questiona-nos) se, em tempo de luta pela sobrevivência, haverá ainda lugar para a intimidade e os afectos e que papel lhes estará reservado perante a privação.
Este não é um simples romance, porque as histórias que conta são reais e estas personagens foram homens como nós, com família, amigos, sonhos e perdas. É, por isso, um romance obrigatório, para não deixar no cair no esquecimento o mais negro episódio da ditadura portuguesa.
Sendo parte de uma obra dividida em três, já se antevia que parte da trama ficasse por contar, mas diríamos que quem não se identificar com este estilo de narrativa terá de dar luta às primeiras sensações, para poder, a final, tornar a leitura frutuosa.
Homenagem à Catalunha é um espantoso ensaio acerca de como os movimentos políticos de esquerda se permitem uma sectarização altamente perniciosa, capaz até de perder guerras (inclusivamente a do combate contra o fascismo). Demarcam-se duas narrativas aqui justapostas, ambas necessárias para compreender em profundidade este fenómeno. Primeiro, Orwell descreve com espantosa minúcia os horrores da …
É ler para entender que grandes obras não se medem em linhas.
Un-Su Kim é um escritor competente, muito mais próximo de Murakami do que de Tarantino (pegando nas referências que se podem ler), tem elegância e um tom muito pessoal, há inteligência e sentido de humor sardónico em quantidades abundantes, uma crítica social subtil